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21/09/2014

Cesário Verde

CESÁRIO VERDE


TEMÁTICAS

POEMAS
- Binómio cidade/campo:
·cidade:
       .  símbolo da confusão (Babel), da    infelicidade;
       . doenças, morte, fatalidade, destruição;
       . Babel, velha e corruptora
                 ↳Presente

·campo:
       . símbolo do amor, da felicidade;
       . saúde, fertilidade, actividade útil
                     ↳Passado



“Setentrional”
“Nós”
“A Débil”, “Avé-Marias“ 



“Setentrional”
“Nós”
- A questão social; o poeta e os humildes; crítica social:

    - solidariedade com os humildes, vítimas das injustiças sociais. Aplaude “o protesto franco e salutar em favor do povo” (Conde de Monsarás) (Dic. Lit.). Literatura um instrumento de transformação social:
       -  ataca os alicerces da sociedade burguesa do Constiticionalismo.
       -  C.V., comovido com os suor humilde do povo, esboça “quadros revoltados” (Dic. Lit. 1037) – injustiças, subserviência, não têm medo do trabalho, enfrentam lutas quotidianas com determinação e força, numa atitude corajosa;
      - crítica à imprensa: adulação e suborno.







“Deslumbramentos”

“Contrariedades”
“Avé-Marias”



“Contrariedades”



ASPECTOS RELEVANTES NA POESIA
EXEMPLOS
- Poetização do real; o quotidiano na poesia: poesia analítica – real* analisado nos seus elementos constitutivos; as imagens dadas são de grande nitidez e precisão (formas, cores, sons, cheiros) (V. Ferreira).

“Contrariedades”
“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- Amor da actividade útil, saudável. Respeito pela ciência positiva do seu tempo. Confiança no progresso (Dic. Lit.).

“Nós”
- A imagética feminina:
·mulher bonina(infl. Românticas); panegírico da excelsitude feminina: frágil, terna, ingénua, despretensiosa, desperta no sujeito poético o desejo de a proteger e estimar;
·fria inglesa; “burguesinha do catolicismo” é o produto fútil e indefeso duma educação errada; (Dic. Lit. 785); produto de convenções mundanas, frígida, frívola, calculista, destrutiva, dominadora, sem sentimentos, mulher fatal, o seu erotismo é humilhante, predadora.


“Setentrional”
“A Débil”


“Deslumbramentos”
- Deambulação: como forma de captar a diversidade do real

“Num Bairro Moderno”
“ Avé-Marias”

Observações:
* A objectividade plástica alterna, em vários passos, com a fuga imaginativa – o jogo do “real” e do “irreal”[surrealismo] – por breves momentos, porque logo o poeta tem de regressar à esfera sensorial, à “realidade” comum.

- O amor, neste poeta, é um motivo secundário.

- Preocupação com a morte: poetas doentes, tuberculosos ou já tocados pela preocupação do mal que os minará – Cesário refugia-se na exaltação da vida salubre (Dic. Lit. 673).

- C.V. é um poeta da infância – saudade (Dic. Lit. 1003). Remomoração subjectiva: C.V. com a ilusão de saúde, evoca as valentias e os terrores de “destro e bravo rapazito” [“Em petiz”](Dic. Lit. 467).

A uma concepção romântica da natureza o poeta preferea lição realista e positiva do campo [“Nós”]. O campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, não aparece associado ao bucolismo ou ao devaneio poético, mas ao espaço real, onde se podem observar os camponeses na sua lide diária – dia a dia concreto, autêntico e real →“poeta da Natureza anti-literária, das coisas boas, gostosas, cheirosas, úteis , do labor equilibrado, produtivo.” (Dic. Lit.)





CARACTERÍSTICAS  DA  POESIA
POEMAS
- Poesia prosaica (quer pela temática, o quotidiano, quer pela forma, de onde a emotividade está ausente [embora, por vezes, haja laivos]) (V. Ferreira).

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- Rigor sintáctico, precisão parnasiana (Dic. Lit.).

Todos
- A poesia de um artista plástico, enamorado do concreto, descreve de modo vivo, exacto, as suas experiências (Dic. Lit.); cromatismo lírico (Dic. Lit);

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- “Objectividade” antilírica (que não impede, no entanto, a expressão, embora discreta, de ideias e sentimentos que definem o homemsituado)(Dic. Lit.).
------------------------------------------------
- Há também uma imaginação transfiguradora

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”


---------------------------------------
“Num Bairro Moderno”; “Avé-Marias”
- Verso decassilábico (10) ou alexandrino (12), sugerindo a imponência e superioridade, nobreza e altivez, grandiosidade solenidade (V. Ferreira).
Todos


Observações:
- Prosaico: que é em prosa ou da natureza da prosa; que é material ou destituído de poesia.

- Prosaísmo: prosificação do discurso poético: objectividade anti-lírica.

- Fino humor, hábil uso do adjectivo (Dic. Lit). – Tom coloquial (Dic. Lit.)

16/10/2013

OS MAIAS - Personagens da crónica de costumes

EÇA DE QUEIRÓS.  OS MAIAS

Personagens da crónica de costumes

Encontramos, no obra, um desfile de personagens, cuja caracterização nos permite classificá-las como personagens-tipo. Elas representam um determinado grupo social e funcionam como forma de criação da crónica de costumes. O que, de facto, interessa, nestas personagens, não são os elementos individualizantes, mas as suas características enquanto retrato de um determinado grupo e contexto social específico.
São de salientar, a este nível, as seguintes personagens:
·         Alencar, que simboliza o Ultra-Romantismo, por oposição ao Realismo e ao Naturalismo, defendidos por João da Ega. Atra­vés desta personagem, é criticada a estagnação intelectual portuguesa, fechada às ideias novas que floresciam no estrangeiro, e que se traduzia numa literatura sentimentalista e alheada da realidade, enraizada em valores tradicionais e obsoletos.
Autor de várias publicações, é um crítico severo da "Ideia Novíssima", isto é, do Naturalismo. Acérrimo defensor de uma democracia humanitária, refugia-se no romantismo político e no ideal de uma república presidida por génios e caracterizada pela fraternização dos povos, ao constatar o descrédito do romantismo literário.
Caracterizam-no a lealdade e a generosidade. Amigo de Pedro da Maia, vai funcionar como elemento referencial do passado de Carlos, enquanto memória da figura paterna.
·         Eusebiozinho representa as vítimas de uma educação tradicional portuguesa, em que imperam os valores morais atrofiantes e cadu­cos e um ensino que não desenvolve a agilidade física e a des­treza intelectual do indivíduo, mas que o aniquila e corrompe espi­ritualmente. Devido à educação que recebe (repare-se que Carlos da Maia é sujeito a um programa educacional completamente oposto) torna-se um indivíduo socialmente apagado e um fraco; incapaz de revelar uma atitude crítica ou analítica, manifesta­-se imaturo do ponto de vista afectivo, cobarde e influenciável. (deixa-se bater pela mulher e convive com prostitutas espanholas, em Sintra; torna-se amigo de Palma Cavalão).
Esta personagem serve ideologicamente os pressupostos naturalistas e a ideologia da obra, opondo-se a Carlos desde a mais tenra idade
·         O Conde de Gouvarinho é uma figura secundária d' Os Maias e inclui-se no painel que caracteriza o espaço social, na obra, ao nível das personagens-tipo.
Representa o Portugal velho e conservador tão criticado por Eça. Politicamente incompetente, o conde de Gouvarinho sim­boliza, nesta obra, a imagem do homem mesquinho e medío­cre, que vive segundo as convenções sociais, apesar de um casamento atribulado. Avesso ao progresso, utiliza um discurso empolgado, mas vazio, e defende acerrimamente a cultura decadente como elemento conquistador e civilizacional dos povos das colónias. O que sobressai, fundamentalmente, desta personagem é a sua completa incapacidade de análise política e a sua inconsequente ausência de visão histórico, que se traduz, sobretudo, na sua futilidade mental e na sua vaidade extrema.
·         Steinbroken é a representação da impressão dos estrangeiros face à "complexidade" nacional. Não emite opiniões e assume-se como um observador um tanto confuso e distante do panorama nacional. A sua distância transparece no seu discurso, aliás, muito pouco extenso, em que predominam as expressões linguís­ticas que se caracterizam pela ausência de um significado con­creto, como é o caso da sua célebre afirmação: “C'est grave...”
·         Sousa Neto é um membro da Administração Pública. Caracteri­zam-no a falta de cultura (lembremo-nos da sua resposta a Ega, quando este, provocante, lhe perguntou se lera Proudhon), a sua incapacidade de análise e a sua vaidade social.
·         Jacob Cohen é o director do Banco Nacional e marido de Raquel, com quem João da Ega tem uma breve relação adúltera. Esta acaba, contudo, com a sua expulsão da residência Cohen, durante um baile de máscaras.
Cohen é o representante da alta finança nacional. É vaidoso e obtuso, por não perceber a relação de Ega com sua mulher, Raquel, nem a hipocrisia com que João da Ega o trata, por esse motivo.
Jacob Cohen simboliza a burguesia que se encontra em lugares de poder, sem, no entanto, possuir a inteligência e a flexibilidade mental para compreender e analisar o mundo que a rodeia. Não apresenta uma consciência forte do estado finan­ceiro do país e é dominado por uma certa inércia.
·         Taveira é o amigo da família Maia; frequenta os serões no Ramalhete e não faz nada. Esta figura pretende retratar, por excelência, a ociosidade da aristocracia nacional.
·         Dâmaso Salcede é a figura mais hedionda da obra. Concentra a vaidade imbecil, o egoísmo, a cobardia, a falta de integri­dade moral. A sua conduta é motivada pelo seu excessivo ego­centrismo e por uma visão deturpada da vida, enraizado em valores sociais imorais, que o fazem oscilar entre comportamen­tos antitéticos, mas sempre repreensíveis (pensemos na sua adu­lação a Carlos e consequente imitação e na traição mesquinha que, posteriormente, pratica ao publicar um artigo contra a reputação de Carlos da Maia n'A Corneta do Diabo). Dâmaso simboliza, pela deformação moral que apresenta, a maior vítima da sociedade portuguesa.
Fisicamente, é gordo, balofo, o que o torna muito pouco atractivo, ainda que, cego pelo seu narcisismo que toca a idiotia, se considere um excelente galã, muito apetecido pelas mulheres, por quem, aliás, não sabe ter consideração nem respeito
·         A Condessa de Gouvarinho e Raquel Cohen simbolizam as mulheres portuguesas, com uma educação romântica e um casamento pouco atraente, que procuram no adultério uma forma de dar algum interesse e emoção às suas vidas
ü  A Condessa de Gouvarinho é uma mulher fútil e vazia de pre­conceitos; apresenta uma paixão obsessiva por Carlos da Maia, com quem terá uma breve relação amorosa. Despreza o marido, não só pela sua mediocridade mas, fundamentalmente, pela sua precária situação económica que, bastas vezes, é coberta pelo pai desta. Simboliza a mulher que não encontra a felicidade no casamento e que procura a emoção e a motivação de viver fora dele.
ü  Raquel Cohen é uma mulher romântica e pouco motivada para a união com Jacob Cohen. Entrega-se à emoção de uma relação adúltera com João da Ega, a quem convence, com queixumes e lamúrias sobre o seu matrimónio infeliz, e que levam Ega, galhardamente, a tomar a sua defesa. Após a expulsão de Ega de sua casa, este vem a tomar consciência de que não passara de uma diversão quási balzaquiana e que Raquel Cohen, além de lhe mentir, amava o marido, do qual sentia violentos ciúmes, razão que, eventualmente, a levava a ter aventuras e a chamar a atenção do marido para a sua existência enquanto mulher.
·         Palma Cavalão e Neves representam o meio jornalístico deca­dente de Lisboa. Palma Cavalão, o director do jornal A Corneta do Diabo, é desonesto e encara o jornalismo como uma forma de ganhar dinheiro, deixando-se, para isso, corromper e subor­nar. Representa o jornalismo barato, escandaloso e sem escrú­pulos. Alcunhado de "Cavalão", ele simboliza a personagem traiçoeira e sem princípios, que tudo faz por dinheiro, sem qualquer preocupação com o seu semelhante. Considera-se o "amante latino", por excelência, das prostitutas espanholas. A associação destas duas facetas negativas torna-o mesquinho e cruel.
Neves, o director do jornal A Tarde, aproveita a sua situa­ção para influenciar politicamente os seus ouvintes/leitores ignorantes. Revela parcialidade, quando Ega lhe pede que publique a carta de Dâmaso em que este pede desculpas a Carlos, por pensar que se tratava de um amigo político com o mesmo nome. Contudo, depois de saber que a carta era, efecti­vamente, da autoria de Dâmaso Salcede e não de Dâmaso Gue­des (o seu amigo de lides políticas), acede a publicar o docu­mento e serve-se mesmo da carta para se vingar do "maganão" que os “entalara no eleição passada”, dando ordens para que a mesma fosse publicada na primeira página.
Conceição Jacinto, Gabriela Lança, Os Maias. Eca de Queirós.
Porto Editora. Colecção Estudar Português


OS MAIAS - O episódio do jantar no Hotel Central (capítulo VI)

OS MAIAS  de Eça de Queirós

O episódio do jantar no Hotel Central  (capítulo VI)



O capítulo onde está inserido o jantar no Hotel Central permite-nos perspectivar o Portugal contemporâneo d’Os Maias. O jantar em honra do banqueiro de prestígio, o Cohen, é um acontecimento eminentemente mundano; é particularmente rico pelo retrato crítico que Eça faz ao contexto político e cultural do seu tempo. Neste retrato assumem particular relevo dois aspectos fundamentais da vida da nação:
  • o cultural (mais propriamente a literatura)
  • o político.

Este jantar serve para propiciar um primeiro e alargado contacto de Carlos com o meio social lisboeta (com Cohen, Alencar, Dâmaso Salcede e outros)

1.Aliteratura:  Romantismo versus Realismo

Ao longo dos diálogos que se vão travando, assiste-se ao confronto entre duas linhas estéticas diferentes.
Þ    Das figuras presentes no jantar está Alencar, que representa o Romantismo, ou seja, a velha corrente literária (Cf. a descrição que nos transmite o narrador na p.159).
Alencar defende acerrimamente aquilo a que ele chama “moralidade”. Verifica-se nele um exagero da “moralização” ultra-romântica e uma consequente fuga ao real circundante.
Þ    Ega assume a defesa do Realismo e identifica-se com as modernas ideias. Afinidade entre Ega e Eça de Queirós. Porém, verifica-se uma distorção das teses naturalistas (Cf. p.164)
Þ    O Realismo é encarado negativamente por Carlos.
Þ    A partir da p.162, surge entre os convivas presentes no jantar o conflito protagonizado por Alencar e Ega, que promovem um episódio de diversão, quer pela linguagem desbragada que usam, quer pela sua atitude indecorosa (troca de ameaças, tanto mais que se encontram num lugar de prestígio social) (Cf. pp.172-175)
Þ    Problemática da crítica literária e do seu cânone específico. Dois vícios fundamentais da crítica literária de conotações académicas:
v  A mera preocupação com questões de natureza formal em detrimento da dimensão temática e verdadeiramente poética da literatura em análise.
v  A pura obsessão com o plágio, interpretando assim uma atitude de tipo policial que nada tinha que ver com valoração estética. (Cf. intervenção de Alencar, p.172)
Þ    A polémica literária toma depois outro rumo: esgotados os argumentos expostos, só resta o ataque pessoal, totalmente arredado da essência das questões abordadas (Cf. p.174). Isto confirma a ideia de que Alencar vale mais como representante de uma mentalidade de certo modo generalizada do que como personagem individualizada e isolada. A discussão entre Ega e Alencar acaba como uma cena de pancada (Cf. p.174)

2.Apolítica de Estado

Þ    É explícita a crítica à política financeira praticada pelos ministérios (Cf. p.165: “A única ocupação...)
Þ    Quem faz a política são os políticos e por isso são os principais causadores do panorama de individualismo, corrupção e má gestão que se vive em Portugal. Na obra, a classe política é caracterizada como sendo um grupo de “medíocres” e “patetas”. Estes são o reflexo de um país desacreditado. Podemos verificar, no discurso empolgado de Ega, essa viva crítica aos políticos da época, por ele genericamente tratados por “colecção grotesca de bestas” (Cf. p.166). Porém, na tentativa de não desprestigiar Cohen – político homenageado no jantar – Ega modera as suas afirmações, admitindo que “também há homens de grande valor!” (Cf. p.166)
Þ    Ega introduz a temática das finanças portuguesas e todos se vão divertindo com as explicações de Cohen acerca de como se faz uma bancarrota (Cf. p.165). Uma vez lançado o tema, este serve de pretexto para diversão geral, como se as finanças públicas fossem assunto de somenos importância. Discute-se afinal entre as personagens, de modo frio e calculista, as desastrosas consequências da gestão ministerial empenhada em levar o país à ruína.
Þ    Cf. pp. 167-168 → O sentimento patriótico não é levado a sério.  O patriotismo, tão defendido pelos antigos heróis nacionais, é desmistificado de forma irónica, tornando inútil o esforço daqueles que, ao longo dos tempos, se bateram pela independência nacional.
Ressalva-se a “paixão patriótica” de Alencar, paradigma do sentimento romântico que parece desaparecer. Apesar das críticas à estética romântica, na obra representada pelo Alencar, esta personagem assume aparentemente a defesa dos valores patrióticos e da coerência dos princípios que defende. (Cf. p.166)
Þ    Dâmaso, porém, contrasta vivamente, representando de forma irónico-crítica a mesquinhez e a cobardia que grassam no Portugal do século XIX. (Cf. p. 169)
Þ    Em vários pontos da obra Os Maias, o processo irónico eciano incide sobre o sentimento generalizado, transmitido por algumas personagens e pelo próprio narrador, de que é necessário importar costumes: tudo o que é português é antigo e velho, tudo o que é estrangeiro é simplesmente “chic”.
Cf. p.158 → fala de Dâmaso → estas palavras de Dâmaso espelham precisamente o sentimento criticado de que Portugal não presta.  Isto sucede, não pela ausência de valores nacionais, que definem a raça, mas porque os portugueses os desvalorizam em favor do que é estrangeiro.
A intervenção de Dâmaso constitui mais um dos momentos divertidos do jantar, onde ele pode dar asas à sua vaidade e futilidade, falando dos pormenores das suas viagens, exibindo uma predilecção pelo estrangeiro.
Þ    Contrariamente à consciência que Eça revela dos problemas do seu tempo, as personagens da sua ficção terminam, de forma inconsequente, o jantar e as discussões, totalmente alheadas, revelando inconsciência relativamente aos problemas e soluções para o país. E, por entre exaltações de espanholadas e “menus” à francesa, o jantar acaba num clima despreocupado de alegria. (Cf. p.171)


Em última análise, o que todo este episódio do jantar do Hotel Central representa é o esforço frustrado de uma certa camada social (por ironia a mais destacada) para assumir um comportamento digno e requintado. Só que (à parte algumas excepções) a realidade dos factos vem ao de cima; que o mesmo é dizer: as limitações culturais e morais não se ocultam à custa de ementas afrancesadas, divãs de marroquim e ramos de camélias.




Temática
Crítica
Literatura


• Oposição entre o Romantismo e o Realismo
• Estagnação da cultura em Portugal



Política
• Independência de Portugal
• Políticos
• Finanças públicas

• Falta de patriotismo
• Incompetência da classe
• Queda financeira do país



Os Maias - A EDUCAÇÃO

A   EDUCAÇÃO



Temos dois modelos de educação em confronto:


Educação à inglesa: CARLOS
Educação tradicional: EUSEBIOZINHO

¨      Ginástica (pp. 54, 58, 66)
¨      Rigor, método, ordem (pp. 56-57, 73-74)
¨      Contacto com a Natureza (pp. 57)
¨      Convivência com as crianças da aldeia (p. 59)
¨      Submissão da vontade ao dever (pp. 61-62, 73-74)
¨      Prioridade dada ao desenvolvimento físico (p. 63)
¨      Aprendizagem das línguas vivas (p. 64)
¨      Religião e moral consideradas secundárias (pp. 66-67, 75)
¨      Rigor nos princípios (pp. 67-68)
¨      Valorização da criatividade e da imaginação (pp. 71-72)

¨      Permanência em casa (pp. 68-69)
¨      Contacto com velhos livros (pp. 68-69)
¨      Mimos e demasiada protecção por parte da mamã e da titi (pp. 73, 76, 78)
¨      Valorização da memorização (pp. 75-76, 78)
¨      Chantagem afectiva para subornar a vontade (p. 76)
¨      Papel (des)educativo da poesia ultra-romântica (p. 76)
¨      Cartilha e latim como bases da educação (p.78)
¨      Religião considerada fundamental
¨      Prioridade dada ao desenvolvimento intelectual




Em relação à educação tradicional, os aspectos negativos tendem a ser mais realçados durante a infância (principalmente através do contraste entre Eusebiozinho e Carlos)
Quanto à educação à inglesa, só o passar do tempo se encarrega de revelar os seus efeitos nocivos, nomeadamente através da história amorosa de Carlos.

Comparativamente, Pedro, Eusebiozinho e Carlos têm um traço comum: todos eles falharam na vida:
Þ    A demasiada protecção feminina durante a infância e os impulsos românticos da adolescência provocaram em Pedro um amolecimento de carácter, que contribuiu para uma vida arrebatada de paixões e que culminou num final ultra-romântico: o suicídio. Pedro falhou no amor, na paixão e na vida.
Þ    O “prodígio”, Eusebiozinho, acaba por não ter o futuro brilhante e digno que aparentemente se previa; antes mostrou a sua moleza de carácter.
Þ    Carlos falhou igualmente na vida e no amor.

Embora, em adultos, Carlos e Eusébio contrastem vivamente na figura (o primeiro é alto, esbelto, elegante, vestindo pelo melhor figurino, e o segundo tem todo um aspecto reles), feito o balanço ao resultado educacional, pouco diferem: os amores de Eusébio, pelos antros de perdição (com espanholas baratas) e os amores incestuosos de Carlos, subvertendo as leis da moral.
Afonso serve de ponto de referência a esta análise, dado que acompanha a educação do filho e do neto. Pedro e Carlos foram sujeitos a dois tipos de educação opostos, cujos progressos foram conduzidos e vigiados por Afonso (e cujas consequências também ele sofreu). Contudo, Afonso atribui a si as culpas do “falhanço” na educação de Pedro e procura “corrigir o erro”, ministrando outro tipo de educação ao neto. A educação de Carlos não só lhe alivia o sofrimento, como o faz reviver, transformando-o num “patriarca feliz” (ver p. 56).

Apesar dos benefícios, a educação de Carlos suscita várias opiniões (Cf. O padre Custódio e o Vilaça, que parece pesar os prós e os contras). Aquela educação mostrou a sua vertente mais fraca: a falta da componente religiosa.

A figura modelar de Afonso jamais é posta em causa, permanecendo à margem de quaisquer acusações. Através da educação, Afonso tudo fez para evitar que a desgraça do filho se repetisse no neto, mas não o conseguiu. Contudo, Afonso não falha: antes morre com dignidade, vítima da incompatibilidade dos valores que representa com a realidade imoral que se lhe sobrepõe: a desgraça de Carlos (Cf. p. 646)



A marca pedagógica que opõe dois conceitos educativos impõe-se neste capítulo, definindo à partida o jogo de forças que estrutura a acção central, tanto ao nível da crónica de costumes em que a educação “à portuguesa” é responsável pela degradação social nos seus valores culturais e morais, como da própria intriga, cujo protagonista uma educação “à inglesa” distingue nesses mesmos valores. Explora ainda uma visão negativa de certa elite social provinciana, ancorada em princípios de religiosidade e preconceito retrógrados. Por outro lado funciona, ao nível de intriga central, como elemento de ironia trágica de um destino ameaçador, pela morte aparente da filha de Pedro Maia e de Maria Monforte, o que nos remete para Édipo, cuja morte fora ordenada por seus pais Jocasta e Laio para evitarem o destino que lhes estava predito e a qual, cumprido o destino, se verificara não ter sido efectuada.


CESÁRIO VERDE

CESÁRIO VERDE


TEMÁTICAS
POEMAS
- Binómio cidade/campo:
·cidade:
       .  símbolo da confusão (Babel), da    infelicidade;
       . doenças, morte, fatalidade, destruição;
       . Babel, velha e corruptora
                 Presente

·campo:
       . símbolo do amor, da felicidade;
       . saúde, fertilidade, actividade útil
                     Passado



“Setentrional”
“Nós”
“A Débil”, “Avé-Marias“ 



“Setentrional”
“Nós”
- A questão social; o poeta e os humildes; crítica social:

    - solidariedade com os humildes, vítimas das injustiças sociais. Aplaude “o protesto franco e salutar em favor do povo” (Conde de Monsarás) (Dic. Lit.). Literatura um instrumento de transformação social:
       -  ataca os alicerces da sociedade burguesa do Constiticionalismo.
       -  C.V., comovido com os suor humilde do povo, esboça “quadros revoltados” (Dic. Lit. 1037) – injustiças, subserviência, não têm medo do trabalho, enfrentam lutas quotidianas com determinação e força, numa atitude corajosa;
      - crítica à imprensa: adulação e suborno.







“Deslumbramentos”

“Contrariedades”
“Avé-Marias”



“Contrariedades”



ASPECTOS RELEVANTES NA POESIA
EXEMPLOS
- Poetização do real; o quotidiano na poesia: poesia analítica – real* analisado nos seus elementos constitutivos; as imagens dadas são de grande nitidez e precisão (formas, cores, sons, cheiros) (V. Ferreira).

“Contrariedades”
“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- Amor da actividade útil, saudável. Respeito pela ciência positiva do seu tempo. Confiança no progresso (Dic. Lit.).

“Nós”
- A imagética feminina:
·mulher bonina(infl. Românticas); panegírico da excelsitude feminina: frágil, terna, ingénua, despretensiosa, desperta no sujeito poético o desejo de a proteger e estimar;
·fria inglesa; “burguesinha do catolicismo” é o produto fútil e indefeso duma educação errada; (Dic. Lit. 785); produto de convenções mundanas, frígida, frívola, calculista, destrutiva, dominadora, sem sentimentos, mulher fatal, o seu erotismo é humilhante, predadora.


“Setentrional”
“A Débil”


“Deslumbramentos”
- Deambulação: como forma de captar a diversidade do real

“Num Bairro Moderno”
“ Avé-Marias”

Observações:
* A objectividade plástica alterna, em vários passos, com a fuga imaginativa – o jogo do “real” e do “irreal”[surrealismo] – por breves momentos, porque logo o poeta tem de regressar à esfera sensorial, à “realidade” comum.

- O amor, neste poeta, é um motivo secundário.

- Preocupação com a morte: poetas doentes, tuberculosos ou já tocados pela preocupação do mal que os minará – Cesário refugia-se na exaltação da vida salubre (Dic. Lit. 673).

- C.V. é um poeta da infância – saudade (Dic. Lit. 1003). Remomoração subjectiva: C.V. com a ilusão de saúde, evoca as valentias e os terrores de “destro e bravo rapazito” [“Em petiz”](Dic. Lit. 467).

A uma concepção romântica da natureza o poeta preferea lição realista e positiva do campo [“Nós”]. O campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, não aparece associado ao bucolismo ou ao devaneio poético, mas ao espaço real, onde se podem observar os camponeses na sua lide diária – dia a dia concreto, autêntico e real →“poeta da Natureza anti-literária, das coisas boas, gostosas, cheirosas, úteis , do labor equilibrado, produtivo.” (Dic. Lit.)





CARACTERÍSTICAS  DA  POESIA
POEMAS
- Poesia prosaica (quer pela temática, o quotidiano, quer pela forma, de onde a emotividade está ausente [embora, por vezes, haja laivos]) (V. Ferreira).

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- Rigor sintáctico, precisão parnasiana (Dic. Lit.).

Todos
- A poesia de um artista plástico, enamorado do concreto, descreve de modo vivo, exacto, as suas experiências (Dic. Lit.); cromatismo lírico (Dic. Lit);

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- “Objectividade” antilírica (que não impede, no entanto, a expressão, embora discreta, de ideias e sentimentos que definem o homemsituado)(Dic. Lit.).
------------------------------------------------
- Há também uma imaginação transfiguradora

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”


---------------------------------------
“Num Bairro Moderno”; “Avé-Marias”
- Verso decassilábico (10) ou alexandrino (12), sugerindo a imponência e superioridade, nobreza e altivez, grandiosidade solenidade (V. Ferreira).
Todos


Observações:
- Prosaico: que é em prosa ou da natureza da prosa; que é material ou destituído de poesia.

- Prosaísmo: prosificação do discurso poético: objectividade anti-lírica.

- Fino humor, hábil uso do adjectivo (Dic. Lit). – Tom coloquial (Dic. Lit.)


18/09/2010

Ficha de Verificação de Leitura da obra: SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES do Padre António Vieira

1. O Sermão de Santo António aos Peixes foi pregado pelo            ________________________________, no ______________, a ______________________de ____________.

 

2. O Sermão começa por um __________________________  escrito em ___________.

 

3. Vieira dirige-se aos _______________________________, o sal são____________________ e a terra ___________________.

 

4. A palavra de Deus não está a fazer fruto. Os culpados tanto podem ser os _________________ como os ___________________.

 

5. Se o mal está do lado dos pregadores; Cristo apresenta a solução: ____________________________

________________________________________.

 

6. Se o mal está do lado dos ouvintes, o melhor é fazer como _____________________ e começar a pregar aos ________________.

 

7. O Pregador termina a primeira parte do Sermão, a que é dado o nome de ________________, invocando _______________________.

 

8. A partir do capítulo II, todo o texto é uma alegoria porque __________________________________

_______________________________________.

 

9. Os peixes, como ouvintes, apresentam duas qualidades: ______________ e _____________, no entanto, ______________________, o que entristece um pouco o Pregador.

 

10. Se tal como os homens também há peixes ______________ e peixes _____________, há que ___________ e ______________.

 

11. De entre todos os animais, os peixes são aqueles que não se _____________ nem ______________.

 

12. Os animais que vivem junto do homem estão _______________ e tornam-se __________________.

 

13. Santo António também deixou Lisboa e foi para ____________ e dali para ______________.

 

14. O primeiro peixe a ser louvado é ______________________ pois o seu ___________ era bom para ___________________________ e o coração ______________________________________. Este é comparado com _______________________ porque ___________________________________.

 

15. O segundo peixe é a _____________ que tem como virtude _______________________________.

 

16. O poder deste é comparado à _______________ de Santo António.

 

17. O terceiro peixe é o ______________ que possui _____________________ que faz ____________ o pescador.

 

18. Vieira desejava que existissem na terra para _____________________________________________

______________________________.

 

19. O último peixe a ser louvado é o ____________________ porque, na realidade, _________________ uns virados para __________ e outros para __________. Assim, pode estar atento aos perigos que vêm do __________ e do ___________.

 

 

20. Vieira lamenta tanta abundância daquele instrumento nos peixes e tanta ________________ nos homens.

 

21. Este peixe ensinou ao Pregador que só devemos olhar __________________ e _______________ porque se olharmos para os lados só vemos ___________________.

 

22. No capítulo IV vai falar das repreensões. A primeira grande repreensão que lhes tem a fazer é o facto de ________________________________________, sobretudo __________________________, a isso chama-se __________________.

 

23. Infelizmente, não são só os ____________ que se ____________, os _____________ também o fazem e de uma maneira cruel.

 

24. Outra repreensão geral é a _______________ e _______________ que os conduz por vezes à morte.

 

25. Estas também existem ___________________.

 

26. Há quem se endivide uma vida inteira por _____________________________________.

 

27. Descendo ao particular, o primeiro peixe é o _______________ cuja ________________ contrasta com _______________________________.

 

28. Também na terra há muitos assim, e dá o exemplo de _____________ e ____________.

 

29. São dois os motivos pelos quais os homens se tornam Roncadores, o __________ e o __________. Como exemplo, do primeiro temos ___________ e do segundo ___________. Só Santo António possuía o __________ e o ___________ e com o seu silêncio disse tudo.

 

30. Os Pegadores são uns autênticos _______________ pois vivem à custa dos outros.

 

31. Esse mal também se encontra nos homens pois os grandes _______________ que vão de _____________ para o ____________ levam sempre __________________ consigo.

 

32. É preciso ter muito cuidado pois quando morre _________________, morrem com ele _____________________________________.

 

33. O penúltimo peixe é o Voador, criticado pela sua ______________ que advém do facto de _____________. Assim, fica sujeito aos perigos do _____________ e do ___________.

 

34. O último a ser alvo de uma profunda crítica é o ____________, considerado __________________ porque _________________________________.

 

35. Este é comparado a ___________ mas a sua maldade é maior porque ___________ e ___________ ao mesmo tempo.

 

36. O lado oposto deste «peixe aleivoso» é ____________________ pela sua ____________________.

 

37. Vieira faz uma advertência final para que _____________________________________________.

 

38. Comparados com os homens, os peixes são __________________________.

 

39. O próprio Pregador sente-se ______________ porque ____________________________________.

 

40. Termina o Sermão, pedindo aos peixes para  _________________ a Deus.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CORRECÇÃO DA FICHA DE VERIFICAÇÃO DE LEITURA DA OBRA:

SERMÃO DE STO. ANTÓNIO AOS PEIXES

 

1. O Sermão de Santo António aos Peixes foi pregado pelo Padre António Vieira, no Maranhão, a 13 de Junho  de 1654.

 

2. O Sermão começa por um  Conceito Predicável  escrito em Latim.

 

3. Vieira dirige-se aos moradores do Maranhão, o sal são os pregadores e a terra ouvintes.

 

4. A palavra de Deus não está a fazer fruto. Os culpados tanto podem ser os Pregadores como os ouvintes .

 

5. Se o mal está do lado dos pregadores; Cristo apresenta a solução: «lançá-lo fora como inútil, para que seja pisado de todos» .

 

6. Se o mal está do lado dos ouvintes, o melhor é fazer como Santo António e começar a pregar aos peixes.

 

7. O Pregador termina a primeira parte do Sermão, a que é dado o nome de Exórdio, invocando Nossa Senhora.

 

8. A partir do capítulo II, todo o texto é uma alegoria porque Vieira dirige-se aos peixes querendo atingir os homens.

 

9. Os peixes, como ouvintes, apresentam duas qualidades: ouvem e não falam, no entanto, não se convertem, o que entristece um pouco o Pregador.

 

10. Se tal como os homens também há peixes bons e peixes maus, há que louvar e repreender.

 

11. De entre todos os animais, os peixes são aqueles que não se domam nem domesticam.

 

12. Os animais que vivem junto do homem estão aprisionados e tornam-se parecidos com eles.

 

13. Santo António também deixou Lisboa e foi para Coimbra e dali para um ermo.

 

14. O primeiro peixe a ser louvado é o peixe de Tobias pois o seu fel era bom para sarar a cegueira e o coração para afastar os maus espíritos. Este é comparado com Santo António porque cura a cegueira dos homens.

 

15. O segundo peixe é a Rémora que tem como virtude a força para parar um navio.

 

16. O poder deste é comparado à boca de Santo António.

 

17. O terceiro peixe é o Torpedo que possui um aparelho que faz tremer o pescador.

 

18. Vieira desejava que existissem na terra para fazer tremer aqueles que pescam tudo.

 

19. O último peixe a ser louvado é o Quatro-Olhos porque, na realidade, quatro olhos uns virados para cima e outros para baixo. Assim, pode estar atento aos perigos que vêm do céu e do mar.

 

20. Vieira lamenta tanta abundância daquele instrumento nos peixes e tanta carência nos homens.

 

21. Este peixe ensinou ao Pregador que só devemos olhar para o céu e para o inferno porque se olharmos para os lados só vemos vaidades.

 

22. No capítulo IV vai falar das repreensões. A primeira grande repreensão que lhes tem a fazer é o facto de se comerem uns aos outros, sobretudo os maiores comerem os mais pequenos, a isso chama-se ictiofagia.

 

23. Infelizmente, não são só os peixes que se comem, os homens também o fazem e de uma maneira cruel.

 

24. Outra repreensão geral é a cegueira e a ignorância que os conduz por vezes à morte.

 

25. Estas também existem nos homens.

 

26. Há quem se endivide uma vida inteira por um simples pedaço de pano.

 

27. Descendo ao particular, o primeiro peixe é o Roncador cuja potente voz contrasta com o seu pequeno tamanho.

 

28. Também na terra há muitos assim, e dá o exemplo de Pedro e Golias.

 

29. São dois os motivos pelos quais os homens se tornam Roncadores, o saber e o poder. Como exemplo, do primeiro temos Caifás e do segundo Pilatos. Só Santo António possuía o poder e o saber e com o seu silêncio disse tudo.

 

30. Os Pegadores são uns autênticos parasitas pois vivem à custa dos outros.

 

31. Esse mal também se encontra nos homens pois os grandes governantes que vão de Portugal para o Brasil levam sempre os Pegadores consigo.

 

32. É preciso ter muito cuidado pois quando morre o Pegador, morrem com ele os que lhe estavam pegados.

 

33. O penúltimo peixe é o Voador, criticado pela sua vaidade que advém do facto de possuir umas barbatanas grandes. Assim, fica sujeito aos perigos do mar e do céu.

 

34. O último a ser alvo de uma profunda crítica é o Polvo, considerado o maior traidor porque se disfarça e ataca os outros.

 

35. Este é comparado a Judas mas a sua maldade é maior porque aperta e prende ao mesmo tempo.

 

36. O lado oposto deste «peixe aleivoso» é Santo António pela sua candura e pureza.

 

37. Vieira faz uma advertência final para que não se apeguem a bens alheios.

 

38. Comparados com os homens, os peixes são piores que estes.

 

39. O próprio Pregador sente-se inferior porque fala, vê, …. E com isso ofende Deus.

 

40. Termina o Sermão, pedindo aos peixes para louvarem a Deus.  

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