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21/02/2010

o teatro e o texto dramático

 

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O TEATRO

   A origem desta arte, com mais de 2500 anos, surge associada aos rituais religioso e às festas. É aos poucos que se transforma num espectáculo de representação autónomo, que existe para o público e por causa do público.

  Quando falamos de teatro devemos distinguir:

  • O teatro como o local onde se assiste a uma representação, que evoluiu desde os anfiteatros gregos, ao ar livre, até às salas dos dias de hoje;
  • o teatro representado - irrepetível e único, o teatro- espectáculo existe apenas no momento em que é representado. A mistura de sons, imagens, palavras, movimentos e emoções existe apenas no presente e não pode ser captada por nenhum suporte – as fotografias ou os filmes são apenas a memória desse momento e nem mesmo os textos de teatro conseguem prever ou reproduzir o que acontece numa representação.
  • o teatro escrito / texto dramático – documento que fixa as falas das personagens e as indicações cénicas. É importante saber que nem sempre as as representações teatrais se basearam num texto escrito e nem todos os textos dramáticos são representados.

O TEXTO DRAMÁTICO

   O texto dramático é, então, um modo de fazer literatura, que apresenta as falas das personagens em discurso directo (diálogo, monólogo e aparte) e fornece, em muitos casos informações que complementam a leitura e servem de suporte a uma possível representação.

   Estas informações, apresentadas em negrito, itálico ou entre parênteses, chamam-se indicações cénicas ou didascálias e podem surgir antes, ou no meio, das falas das personagens.

  As didascálias contêm indicações sobre: cenário, adereços, figurinos, tempo, movimentação, localização, gestos e atitudes das personagens, tom de voz, características físicas e psicológicas das personagens, luz, som, etc.

   O discurso dramático distingue-se pela vivacidade característica do discurso directo, reproduzindo, muitas vezes, emoções, hesitações, repetições, pausas, vocativos, interjeições, habituais na oralidade.

   O texto dramático pode dividir-se em actos e em cenas ( estrutura externa).

 

PALAVRAS E EXPRESSÕES DO TEATRO

  • Acto : cada uma das partes principais de uma peça de teatro.
  • Actor / actriz: aquele ou aquela que representa uma personagem.
  • Adereços: objectos que fazem parte do cenário ou são usados pelas personagens.
  • Apartes: expressão, em voz alta, do pensamento da personagem, que é ouvido apenas pelo público.
  • Cena: parte da peça teatral em que estão presentes as mesmas personagens; pode significar o mesmo que palco, ou seja, o local onde decorre a representação (entrar em cena, sair de cena). Sempre que há entrada ou saída de personagens, há  mudança de cena.
  • Cenário: elementos que decoram e delimitam o espaço cénico.
  • Dramaturgo: escritor de um texto dramático.
  • Encenador: pessoa que dirige a representação teatral.
  • Figurinista: responsável pelo guarda-roupa usado pelas personagens.
  • Luminotécnico: pessoa encarregue da iluminação do espectáculo.
  • Sonoplasta: responsável pelos sons que acompanham o espectáculo.

19/01/2010

Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett - Ficha de avaliação

18/01/2010

Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett

Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett


  •         Primeira representação
    Representado pela primeira vez em Lisboa, no dia 7 de Abril de 1845, no Teatro da Sociedade Tália.

    ·         Estrutura externa
    Acto único, divido em 17 cenas.

    ·         Espaço
    A Acção decorre num hotel de Lisboa ( DUARTE -É verdade, e como se arranjam neste hotel? É o melhor de Lisboa. Os quartos não são grandes, não...). O espaço social caracteriza-se pela vida mundana e boémia.

    ·         Personagens
    José Félix - é uma personagem central na obra, que tudo fará para garantir o dote prometido à sua noiva, Joaquina. Ao longo da peça, encarna as várias personagens que permitem validar as mentiras de Duarte. É no fundo, um protagonista, que mente para encobrir as mentiras de outro.

    Duarte Guedes - completamente integrado na vida mundana da cidade de Lisboa, o noivo de Amália não consegue parar de mentir, até porque, como ele próprio afirma, a realidade seria muito aborrecida sem algumas fantasias. 

    Brás Ferreira - pai de Amália, conservador e honesto, não quer entregar a filha a um burlão.

    Amália - jovem e honesta, tal como o pai; por amor, está disposta a perdoar as mentiras de Duarte.

    Joaquina - mulher do povo, criada de Amália e Brás Ferreira, noiva de José Felix.

    General Lemos - referido desde o início, surge em cena só no fim da peça. Decide compactuar com a mentira e protege Duarte. 

    ·         Enredo e estrutura interna
    Introdução: Brás Ferreira, a sua filha Amália e a criada, Joaquina, acabam de chegar do Porto e instalam-se em Lisboa. Durante a estada, Amália espera oficializar o seu noivado com Duarte. Dependente deste futuro casamento está também Joaquina, noiva de José Félix, criado do general Lemos, a quem Amália prometeu um dote.
    No entanto, ambos os casamentos estão em risco, pois Brás Ferreira que por à prova o carácter de Duarte, que é um mentiroso compulsivo, ameaçando terminar o noivado se o apanhar a mentir.
    Para o evitar, Joaquina e José Félix, apoiados por Amália, pensam num estratagema para impedir Duarte de ser apanhado em falso.

    Desenvolvimento: perante Brás Ferreira, Duarte conta uma sucessão de mentiras e, sem ele próprio compreender o que se passa, todas elas são validadas pelas personagens encarnadas por José Félix, que está a ouvir a conversa e intervém sempre que é preciso. 

    Desenlace: no final, é a intervenção do General Lemos, ele próprio apanhado na teia de mentiras, que vai permitir o desfecho desejado - uma vez que Brás Ferreira não conseguiu desmascarar Duarte, consente o seu casamento com Amália, que assim pode entregar a Joaquina o dote que lhe permitirá casar com José Félix.

23/04/2009

TESTE DE LÍNGUA PORTUGUESA – 8º ANO


FALAR VERDADE A MENTIR

CENA XII
JOAQUINA (só)

Pobre rapaz! ficou como pateta! Se ele não está costumado a isto... Conde­nado a falar verdade vinte e quatro horas a fio... Também, olhe que nos dá um trabalho! Porque mente com um desembaraço e sem a menor considera­ção... Já se tinha esquecido da peta do almoço. Felizmente que nós estamos prevenidos, e graças ao bolsinho de minha ama e à vizinhança do Manuel Espanhol, em poucos minutos se fez da peta verdade... E José Félix! Não verão o meco sentado à mesa com meus amos como se fosse gente, o pedaço de lacaio!... Mas deixem estar que o tratante tem um ar, sabe tomar uns modos, que quem o não conhecer!... Em que ele se deita a perder decerto, é que aquilo é um comilão... 0 que lhe vale é fazer de inglês... não se repara. - Agora que mais falta? Vejamos. A tal visita de agradeci­mento ao general Lemos: essa não se pode evitar. Só se... É verdade; o general Lemos que venha cá... como têm vindo os outros. Vou avisar José Félix que se avie de almoçar e nos represente mais esse figurão. Não lhe há­-de custar muito... é seu amo. -Ai! que é isto, que quer este senhor?

CENA XIII
JOAQUINA e o GENERAL

GENERAL - 0 Senhor Duarte Guedes está aqui, não é assim?

JOAQUINA - Está, sim, senhor, foi agora para a mesa almoçar com o Senhor Brás Ferreira, seu sogro que está para ser.

GENERAL - Um almoço de família, almoço de noivos. Não permita Deus que eu tal perturbe. Esperarei.

JOAQUINA - Se faz favor de dizer o seu nome.

GENERAL - Não é preciso.

JOAQUINA - Não é para saber... é que se fosse coisa que...

GENERAL - É coisa que eu lhe quero dizer só a ele ou a seu sogro.

JOAQUINA - Como queira.
Almeida Garrett, Falar Verdade a Mentir
A- Partindo da leitura das duas cenas e do conhecimento da obra, responde às seguintes questões:

1. Situa as duas cenas na estrutura da obra.

2. Joaquina diz: “É verdade; o general Lemos que venha cá…como têm vindo os outros.”
2.1. Por que razão há-de ir lá o general Lemos?
2.2. Quem são “os outros” a quem ela se refere?

3. Transcreve expressões de dois níveis de língua diferentes.

3.1. Estão esses níveis de língua de acordo com a classe social das personagens que os pronunciam? Justifica.

4. Refere, destas cenas, a personagem que irá contribuir para a resolução do conflito.
4.1. Resume a sua intervenção nas cenas seguintes.

5. Indica os modos de apresentação das falas das personagens presentes nas duas cenas.

6. Faz o levantamento dos elementos que nos dizem tratar-se de um texto dramático.

7. Justifica o título da obra.



B- Completa as seguintes frases de acordo com a leitura que fizeste da obra.

1. Toda a acção decorre________________________________________________
2. Brás Ferreira é um negociante do Porto que tem __________________________
3. Duarte tem o costume de ____________________________________________
4. No dia do casamento de Amália, Joaquina receberia _______________________
5. José Félix, para ajudar Duarte, representou os papéis de ___________________________________________________________________
6. O coronel Luís Guedes é _____________________________________________
7. O General é o amo de _______________________________________________
8. A peça retrata a sociedade do século ___________________________________



C- Completa as seguintes frases:

1. O artista que se dedica à criação dos cenários designa-se __________________
2. O escritor de peças dramáticas designa-se ______________________________
3. O responsável pelos ensaios de um espectáculo designa-se _________________


II

A- Classifica sintacticamente as seguintes frases:

1. Brás Ferreira veio do Porto com Amália e Joaquina.
2. Amália e Joaquina estão muito apreensivas.
3. José Félix continua o jogo com afinco.
4. Eles encobriram-no com mestria.


B- Divide e classifica as orações das seguintes frases:

1. Ele ficou muito contente porque recebeu as cem moedas.
2. Para que o casamento se realize, Duarte não pode ser apanhado em mentiras.
3. Se ele adivinhasse as futuras aflições, não teria mentido tanto.
4. O general Lemos chegou quando eles estavam a almoçar.




IIII

Joaquina diz: “Porque mente com um desembaraço e sem a menor consideração”.
Há, como sabes, um ditado popular assim:
“Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo.”

Narra um facto real, ou então imaginado, que possa ter como título este provérbio.

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