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04/11/2010

O TESOURO -Eça de Queirós

O TESOURO
Eça de Queirós

I

Os três irmãos de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram então, em todo o Reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados.

Nos Paços de Medranhos, a que o vento da serra levara vidraça e telha, passavam eles as tardes desse Inverno, engelhados nos seus pelotes de camelão, batendo as solas rotas sobre as lajes da cozinha, diante da vasta lareira negra, onde desde muito não estalava lume, nem fervia a panela de ferro. Ao escurecer devoravam uma côdea de pão negro, esfregada com alho.

Depois, sem candeia, através do pátio, fendendo a neve, iam dormir á estrebaria, para aproveitar o calor das três éguas lazarentas que, esfaimadas como eles, roíam as traves da manjedoura. E a miséria tornara estes senhores mais bravios que lobos.

Ora, na Primavera, por uma silenciosa manhã de domingo, andando todos três na mata de Roquelanes a espiar pegadas de caça e a apanhar tortulhos entre os robles, enquanto as três éguas pastavam a relva nova de Abril – os irmãos de Medranhos encontraram, por trás de uma moita de espinheiros, numa cova de rocha, um velho cofre de ferio. Como se o resguardasse uma torre segura, conservava as suas três chaves nas suas três fechaduras. Sobre a tampa, mal decifrável através da ferrugem, corria um dístico em letras árabes. E dentro, até às bordas, estava cheio de dobrões de ouro!

No terror e esplendor da emoção, os três senhores ficaram mais lívidos do que círios. Depois, mergulhando furiosamente as mãos no ouro, estalaram a rir, num riso de tão larga rajada que as folhas tenras dos olmos, em roda, tremiam... E de novo recuaram, bruscamente se encararam, com os olhos a flamejar, numa desconfiança tão desabrida que Guanes e Rostabal apalpavam nos cintos as cabos das grandes facas. Então Rui, que era gordo e ruivo, e o mais avisado, ergueu os braços, como um árbitro, e começou por decidir que o tesouro, ou viesse de Deus ou do Demônio, pertencia aos três, e entre eles se repartiria, rigidamente, pesando-se o ouro em balanças. Mas como poderiam carregar para Medranhos, para os cimos da serra, aquele cofre tão cheio? Nem convinha que saíssem da mata com o seu bem, antes de cerrar a escuridão. Por isso ele entendia que o mano Guanes, como mais leve, devia trotar para a vila vizinha de Retortilho, levando já ouro na bolsilha, a comprar três alforjes de couro, três maquias de cevada, três empadões de carne e três botelhas de vinho. Vinho e carne eram para eles, que não comiam desde a véspera: a cevada era para as éguas. E assim refeitos, senhores e cavalgaduras, ensacariam o ouro nos alforjes e subiriam para Medranhos, sob a segurança da noite sem lua.

– Bem tramado! – gritou Rostabal, homem mais alto que um pinheiro, de longa guedelha, e com uma barba que lhe caía desde os olhos raiados de sangue até á fivela do cinturão.


1. O texto corresponde ao início do conto " O Tesouro" de Eça de Queiroz.

1.1. Explica como isso se torna evidente pela leitura do excerto.
1.2. Procura no texto a expressão que permite inserir o conto no tempo histórico da Reconquista Cristã.

2. Os dois primeiros parágrafos do texto são predominantemente descritivos.

2.1. Das opções que se seguem escolhe a(s) que lhe conferem essa particularidade.

a) O predomínio dos verbos de acção conjugados no pretérito perfeito.
b) O rápido avanço da acção.
c) A referencia a um tempo passado.
d) O predomínio dos verbos de estado flexionados no pretérito imperfeito e da adjectivação.

2.2. Coloca, pela respectiva ordem, os aspectos descritivos que concorrem para um espaço social miserável e decadente.

- degradação do espaço físico.
- A inércia e a inactividade das personagens.
- A extrema pobreza das personagens.

3.O inicio do texto contém uma descrição colectiva dos irmãos.

3.1. Procura no texto a descrição individual de Rui e transcreve-a.

3.2. Concluis então tratar-se de:

a) uma descrição física e psicológica.
b) uma descrição psicológica.
c) Uma descrição física.

4. A narração propriamente dita vai ter início no terceiro parágrafo do texto.

4.1. Aponta as coordenadas espaço-temporais que a envolvem.

4.2. Refere o acontecimento que vai originar uma alteração súbita na vida das personagens anteriormente descrita.

29/10/2010

O Fantasma

  1. Lê o texto com muita atenção.

O FANTASMA

O Mário aimageschava aquilo verdadeiramente esquisito. Acontecia todos os dias e à mesma hora. Sempre que ele regressava das aulas, punha o almoço em cima da mesa e ia lavar as mãos à casa de banho. Quando vinha para se sentar, o almoço tinha desaparecido. Parecia magia!

Ora, um dia, o Mário resolveu dar mais atenção ao caso. Como de costume, era meio-dia. Pôs o almoço em cima da mesa e, em vez de ir lavar as mãos à casa de banho, escondeu-se atrás da porta para ver o que se passava. Pela fisga, com cuidado, espreitou. Não se via lá muito bem, mas sempre era melhor que nada.

De repente, como um relâmpago, na mesa surgiu uma sombra branca com uns olhos muito brilhantes…Era assustador! Em segundos, aquela sombra misteriosa devorou o almoço do Mário. Depois desapareceu sem se saber como.

O Mário estava aterrado!... Mas ele, com medo que aquela coisa estranha o visse, não gritou nem nada.

À noite, quando os pais regressaram do trabalho, o Mário contou:

- Vi um fantasma!

- Um fantasma? – Perguntaram os pais com ar de brincadeira.

- Vi mesmo. Eu sei que vi. Foi ao meio-dia. Ele até comeu o almoço…

- Os fantasmas não existem, Mário – explicou o pai – Do que te havias de lembrar!

- O que as crianças hoje inventam para não comerem a sopa! – Dizia a mãe.

O Mário insistia mas os pais continuavam sem acreditar. Mas, ele tanto insistiu, tanto insistiu que, no dia seguinte, o pai resolveu vir almoçar a casa para ver se aquilo era verdade.

Armindo Reis, O Sol da nossa rua

  1. Responde, sempre de forma completa:

a) Que tipo de narrador encontras neste texto? Justifica a tua resposta.

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b) Faz a localização espacial da acção do texto.

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c) Quais são as personagens do texto?

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d) Classifica as personagens quanto à sua importância na acção.

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e) Por que razão é que o Mário andava preocupado?

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f) O que resolveu fazer para descobrir o mistério?

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g) Descreve o que o Mário viu.

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h) Qual foi a reacção dos pais?

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i) E tu, acreditas em fantasmas? Justifica a tua resposta.

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II

a) Descobre os sinónimos das palavras sublinhadas:

Ele teve cautela. _____________________________________

O pai resolveu vir almoçar. _____________________________

b) Descobre os antónimos das palavras sublinhadas:

De repente ele surgiu. _________________________________

O Mário insistiu. _____________________________________

c) Lê as frases e coloca as palavras sublinhadas no lugar certo

De repente, como um relâmpago, surgiu uma sombra branca com uns olhos brilhantes. Em segundos aquela sombra misteriosa devorou o seu almoço. O Mário contou tudo aos pais mas estes não acreditaram.

Nomes

Determinantes

Adjectivos

Pronomes



     

05/10/2010

Texto Narrativo – o que é?

clip_image002 Narrar – É contar uma história, um facto, um acontecimento, quer dizer, fala do que acontece a uma ou várias personagens.

 

1- Estrutura da narrativa : Normalmente um texto narrativo organiza-se em três partes:

  1. Introdução - apresenta a situação inicial, localiza a acção ( onde e quando se passa a história), descreve as personagens – geralmente estas informações são dadas na introdução.
  1. desenvolvimento – conta a acção propriamente dita ( Por exemplo: quando acontece na história um problema que é preciso resolver – tudo o que se passa a seguir é já o desenvolvimento.
  1. Conclusão – apresenta o final da acção ( Por exemplo - quando se encontra a solução para um problema chega ao fim a história – é a conclusão.

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A um texto com estas características damos o nome de narrativa fechada.

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Quando não conhecemos a conclusão, dizemos que se trata de uma narrativa aberta.

2- Localização da acção:

clip_image001 No espaço – Onde?

 

clip_image001[1] No tempo – Quando?

3- Autor:

É a pessoa que imagina a narrativa.

Exemplo: «A rosa vai passando para as minhas mãos as bolas coloridas, longos fios prateados e dourados [...]».

 

4- Narrador:

É um ser imaginário, criado pelo autor a quem cabe contar a história. O narrador pode ser:

  • Participante ou presente (se participa na história como personagem)
  • Não participante ou ausente ( se se limita a contar a história, sem participar nela).

5- Personagens:

Pessoas que vivem os acontecimentos que são contados no texto.

Atenção! Por vezes as personagens podem ser animais ou coisas.

 As personagens podem ser:

 

  • Principais - (herói ou heroína da acção)
  • Secundárias - (têm um papel menor na história)

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