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21/09/2014

“Mensagem” vs. “Os Lusíadas”

Semelhanças: concepção mística e missionária/missionante da história portuguesa, preocupação arquitectónica: ambas obedecem a um plano cuidadosamente elaborado, o reverso da vitória são as lágrimas.
Diferenças:
۰        Os Lusíadas foram compostos no início do processo de dissolução do império e Mensagem publicada na fase terminal de dissolução do império;
۰        Os Lusíadas têm um carácter predominantemente narrativo e pouco abstractizante, enquanto que Mensagem tem um carácter menos narrativo e mais interpretativo e cerebral;
۰        no primeiro o Adamastor é sinónimo de lágrimas e mortes, sofrimento e audácia que as navegações exigiram, enquanto que no segundo simboliza os medos e terrores vencidos pela ousadia;
۰        nos Lusíadas o tema é o real, o histórico, o factual (os acontecimentos, os lugares), em Mensagem o tema é a essência de Portugal e a necessidade de cumprir uma missão;
۰        para Camões os deuses olímpicos regem os acidentes e as peripécias do real quotidiano, para Pessoa os deuses são superados pelo destino, que é força abstracta e inexorável;
۰        nos Lusíadas os heróis são pessoas com limitações próprias da condição humana, mesmo se ajudados nos sonhos pela intervenção divina cristã ou pelos deuses do Olimpo, em Mensagem os heróis são mitificados e encarnam valores simbólicos, assumindo proporções gigantescas;
۰        Lusíadas: narrativa comentada da história de Portugal, Mensagem: metafísica do ser português; Lusíadas: heróis e mitos que narram as grandezas passadas. Mensagem: heróis e mitos que exaltam as façanhas do passado em função de um desesperado apelo para grandezas futuras;
A comparação entre "Os Lusíadas" e a "Mensagem" impõe-se pelo próprio facto de esta ser, a alguns séculos de distância e num tempo de decadência - o novo mito de pátria portuguesa.


 

Os Lusíadas



Mensagem
ü  Homens reais com dimensões heróicas mas verosímeis;

ü  Heróis de carne e osso, bravos mas nunca infaliveís;
ü  Heróis mitificados, desincarnados, carregando dimensões simbólicas

v          Brasão ® Terra ® Nun’Álvares Pereira
v          Mar Português ® Mar ® Infante D. Henrique
v          O encoberto ® Ar ® D. Sebastião

(de uma terra de dimensões conhecidas parte-se à descoberta do mar e constrói-se um império. Depois o império se desfez e o sonhos e o Encoberto são a raiz a esperança de um Quinto Império)
ü  Herói colectivo: o povo português
ü  Virtudes e manhas

ü  Heróis individuais exemplares (símbolos)

ü  D. Sebastião (rei menino) a quem Os Lusíadas são dedicados;
“tenro e novo ramo”            

ü  D. Sebastião mito “loucura sadia”
Sonho, ambição
(repare-se que d. Sebastião é a última figura da história a ser mencionada, como se  quisesse dizer que Portugal mergulhou, depois do seu desaparecimento num longo período de letargia)

ü  Celebração do passado – história
ü  Glorificação do futuro – símbolos
ü  Messianismo a mola real de Portugal
ü   
ü  Narrativa comentada da história de Portugal (cf. Jorge Borges de Macedo)
Teoria da história de Portugal
ü  Metafísica do Ser português
ü  Três mitos basilares:
o   Adamastor
o   Velho do restelo
o   A ilha dos amores
ü  Tudo é mito
“o mito é o nada que é tudo”



ü  acção
ü  contemplação
ü  altiva rejeição do real
ü  império feito e acabado
ü  Portugal indefinido, atemporal
ü   
ü  Saudade profética ® saudades do futuro
ü  Façanhas dos barões assinalados
ü  Matéria dos sonhos
ü  Temporalidade

ü  Atemporalidade mística
ü  Síntese pagão e cristão
ü  Síntese total (sincretismo religioso)
ü  D. Sebastião como enviado de Deus para alargar a Cristandade
ü   Portugal como instrumento de Deus
(os heróis cumprem um destino que os ultrapassa)
ü  cabeça da Europa
ü  Rosto da Europa que aguarda expectante o que virá


O projecto da Mensagem é o de superar o carácter obsessivo e nacional d’Os Lusíadas no imaginário mítico-poético nacional. Os Lusíadas conquistaram o título de “evangelho nacional” e foram elevados à categoria de símbolo nacional. A Mensagem logo no seu título aponta para um novo evangelho, num sentido místico, ideia de missão e de vocação universal. O próprio título indicia uma revelação, uma iniciação.
Pessoa previa para breve o aparecimento do “Supra-Camões” que anunciará o “Supra-Portugal de amanhã”, a “busca de uma Índia Nova”, o tal “porto sempre por achar”.
          A Mensagem entrelaça-se, através de um complexo processo intertextual, com Os Lusíadas, que por sua vez são já um reflexo intertextual da Eneida  e da Odisseia. Estabelece-se portanto um diálogo que perpassa múltiplos tempos históricos. Pessoa transforma-se num arquitecto que edifica uma obra nova, com moderbnidade, mas também com a herança da memória.
  Em Camões memória e esperança estão no mesmo plano. Em Pessoa, o objecto da esperança transferiu-se para o sonho, daí a diferente concepção de heroísmo.
Pessoa identifica-se com os heróis da Mensagem ou neles se desdobra num processo lírico-dramático. O amor da pátria converte-se numa atitude metafísica, definivel pela decepção do real, por uma loucura consciente. Revivendo a fé no Quinto Império, Pessoa reinventou um razão de ser, um destino para fugir a um quotidiano
absurdo.
           O assunto da Mensagem é a essência de Portugal e a sua missão por cumprir. Portugal é reduzido a um pensamento que descarna e espectraliza as personagens da história nacional.
          A Mensagem é o sonho de um império sem fronteiras nem ocaso. A viagem real é metamorfoseada na busca do “porto sempre por achar”.

“A Mensagem comparada com Os Lusíadas é um passo em frente. Enquanto Camões, em Os Lusíadas, conseguiu fazer a síntrese entre o mundo pagão e o mundo cristão, Pessoa na Mensagem conseguiu ir mais longe estabelecendo uma harmonia total, perfeita, entre o mundo pagão, o mundo cristão e o mundo esotérico.”

Quadro-Síntese

Temáticas
Estilísticas
Nível Fónico
Nível Morfossintático e semântico
-         Nacionalismo mítico
-         Sebastianismo e saudosismo
-         Simbolismo templário e rosacruciano
-         A ideia de predestinação nacional
-         A mitificação dos heróis
-         Intuição de um destino colectivo
-         Ocultismo procura de uma correspondência entre o visível e o invisível
- musicalidade:
-          Rima
-          Ritmo
-          Aliteração
-         Versificação        regular e tradicional:  variedade atrófica, com predomínio da quadra e da quintilha
-          Encavalgamento
-         expressão épico-lírica
-         linguagem metafórica, aforística, solene, simbólica
-         paradoxo, antítese e oxímoro
-         hiperbarto




19/04/2010

A ESTRUTURA EXTERNA E INTERNA D`OS LUSÍADAS

camoes3

A Estrutura Externa

· O poema encontra-se dividido em partes, que se designam por Cantos – 10 Cantos.

· Dentro de cada Canto há unidades narrativas menores, chamadas Episódios.

· Cada Canto é constituído por estrofes (conjunto de versos), uma vez que se trata de um poema (narrativa em verso).

· As estrofes são oitavas, ou seja, têm oito versos.

· Cada verso tem dez sílabas métricas, sendo, por isso, denominados hendecassílabos (designação antiga) ou decassílabos (designação moderna).

A Estrutura Interna

Os Lusíadas constroem-se pela sucessão de quatro partes:

· PROPOSIÇÃO – apresentação do assunto (canto I, estrofes 1 a 3).

O poeta anuncia que vai cantar as navegações e conquistas no Oriente, os guerreiros e os navegadores, os reis que permitiram a dilatação da Fé e do Império e todos os que, pelas suas obras valorosas, se imortalizaram.

· INVOCAÇÃO – pedido de ajuda às divindades inspiradoras: às Tágides (ninfas do Tejo). Ao longo do poema Camões faz ainda outras invocações: a Calíope (musa da poesia épica e da eloquência) e às ninfas do Mondego.

· DEDICATÓRIA – Camões dedica a obra a D. Sebastião e aconselha-o a novas empresas guerreiras (canto I, estrofes 6 a 18).

· NARRAÇÃO – parte do poema onde se narram as acções levadas a cabo pelo herói (o povo português). Inicia-se «in media res», isto é, quando a viagem já vai a meio, encontrando-se já os marinheiros portugueses em pleno Oceano Índico (canto I, estrofe 19 e vai até ao final da obra).

Por sua vez, a narração constrói-se através da articulação de diversos planos:

· PLANO DA VIAGEM - viagem de Vasco da Gama e a descoberta do caminho marítimo para a Índia.

Continuamente articulado com este e paralelo a ele, surge um segundo plano, que diz respeito à intervenção dos deuses no Olimpo:

· PLANO DA MITOLOGIA – intervenção dos deuses do Olimpo nos acontecimentos.

Deuses:

  • Júpiter – pai dos deuses;
  • Marte – deus da guerra;
  • Vénus – deusa do Amor;
  • Neptuno – deus dos mares;
  • Baco – deus do vinho e da desordem;
  • Mercúrio - mensageiro dos deuses e deus do comércio;
  • Apolo – deus do sol, da luz, da poesia.

Encaixado no primeiro plano, tem lugar um terceiro:

· PLANO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL – narração de toda a história de Portugal desde Viriato até ao reinado de D. Manuel I.

Por último, temos ainda:

· PLANO DO POETA – considerações e opiniões do autor expressas no início e no fim dos cantos.

08/03/2010

Os Lusíadas - Figuras de Estilo

Aliteração - Repetição de um ou mais fonemas consonânticos para intensificar e aumentar a expressividade:
Ex.: "Sois senhor superno" (I, 10).

Anáfora - Repetição (de que resulta sobressair o que se repete) de uma palavra ou de um membro de frase:
Ex.: "Vistes que, com grandíssima ousadia
Vistes aquela insana fantasia
Vistes, e ainda vemos cada dia," (VI, 29).

Anástrofe - Inversão da ordem das palavras correlatas, antepondo-se o determinante (proposição + substantivo) ao determinado ou ao complemento do verbo.
Ex.: "Qual vermelhas as armas faz de brancas;" (VI, 64).

Antítese - Confronto de dois elementos ou ideias antagónicas, no intuito de reforçar a mensagem:
Ex.: "Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou frio"

Antonomásia - Utilização de um nome sugestivo, grandioso ou não, em vez do nome próprio:
Ex.: "O sábio Grego... // O troiano..." (=Ulisses)" (I, 3).

Apóstrofe - Apelo do autor, através de interrupções, invocando pessoas ausentes, coisas ou ideias sob forma exclamativa:
Ex.: "E tu, nobre Lisboa, que no mundo..." (III, 57).

Comparação - Aproximação entre dois termos ou expressões através de uma partícula comparativa (como), levando à compreensão mais profunda do primeiro termo:
Ex.: "Qual aos gritos…// Tal do rei…" (III, 47-48).

Epifonema - Exclamação sentenciosa a concluir uma narrativa ou um discurso:
Ex.: "Mísera sorte! Estranha condição!" (IV, 104).

Eufemismo - Expressão que atenua ou modifica o sentido violento, mau ou desonesto da narrativa:
Ex.: "Tirar Inês ao mundo determina," (III, 23).

Gradação - Ordenação das ideias em escala crescente ou decrescente:
Ex.: "Horrendo, fero, ingente e temeroso" (IV, 28) - Crescente.
"Com mortes, gritos, sangue e cutiladas" (IV, 42) - Decrescente.

Hendíadis - Utilização de dois substantivos coordenados em vez de um substantivo seguido de um complemento determinativo ou dum adjectivo:
Ex.: "Cujo pecado e desobediência" (= Cujo pecado de desobediência) (IV, 98).

Hipérbato - Inversão violenta da posição dos membros de uma frase:
Ex.: "...os duros/Casos que Adamastor contou, futuros" (V, 60).

Hipérbole - Exagero de qualquer realidade para a tornar mais saliente, exagero este que serve para ferir o pensamento quando tomada à letra:
Ex.: "Que a vivos medo, e a mortos faz espanto,".

Ironia - Exprime o contrário do que as palavras ou frases significam, para que se compreenda ou a estupidez ou a fraqueza que se pretende castigar após se verificar a discordância:
Ex.: "Oulá, Veloso amigo, aquele outeiro"
Por me lembrar que estáveis cá sem mim;" (V, 35).

Metáfora - Consiste em designar um objecto ou ideia por uma palavra que convém a outro objecto ou outra ideia - ligados aqueles por uma analogia. A metáfora é num único, os dois termos da comparação sem a partícula comparativa (como):
"Tomai as rédeas vós do reino vosso:" (I, 15).

Onomatopeia - Representação auditiva ou visual pelos sons das palavras, além do respectivo sentido: tentativa de imitação dos ruídos naturais através dos fonemas da linguagem:
Ex.: "Polas concavidades retumbando." (III, 107).


Perífrase - Expressão por diversas palavras daquilo que se poderia dizer mais concisamente ou apenas por uma palavra:
Ex.: "Pelo neto gentil do velho Atlante." (=Mercúrio) (I, 20).

Personificação - Atribuição de qualidades, atributos e impulsos humanos a seres inanimados e a animais irracionais.
Ex.: "Os altos promontórios o choraram," (III, 84).


Sinédoque - Consiste em tomar o todo pela parte e a parte pelo todo, o plural pelo singular ou o singular pelo plural:
Ex.: "Que da Ocidental praia Lusitana" (=Portugal) (I,1).



fonte: http://oslusiadas.no.sapo.pt/figuras.html

23/02/2010

Os Lusíadas


1- Aponta se as seguintes afirmações são falsas (F) ou verdadeiras (V). Justifica as que considerares falsas.
a) Luís de Camões nasceu em 1545 e morreu em 1583. ____
b) Quando estava em Moçambique perdeu um dos seus olhos. ____
c) “Os Lusíadas” foram editados pela primeira vez em 1562. ____
d) O poeta está sepultado em Coimbra. _____
e) Luís de Camões apenas escreveu “Os Lusíadas”. _____
f) O poeta recorreu a fontes históricas para elaborar “Os Lusíadas”. ____
g) A epopeia remonta à Idade Média. ____
h) N` “Os Lusíadas”, encontramos 5 planos narrativos. _____

2- Completa as seguintes passagens:
Em termos da estrutura externa, “Os Lusíadas” estão escritos em _________; divididos em _______ cantos; cada uma das estrofes tem ________ versos, por isso chamam-se ____________; cada verso tem _______ sílabas métricas, isto é, são versos ____________; o esquema rimático é _____________________, ou seja ,a rima é ____________________ e _________________.
A nível da estrutura interna, “Os Lusíadas” incluem a _________________ onde o poeta define ________________, a _________________, onde Camões pede _________________ às ______________ do Tejo: as Tágides. Seguidamente, aparece a ______________ que neste caso é feita a ________________; por fim a ______________________.
3- Define epopeia.
4- Em que consiste a expressão “ narração in media res”?
5- Assinala com uma cruz (X), de entre as hipóteses apresentadas, a que te parecer mais correcta:
A narração n` “Os Lusíadas”:
a) Coincide com o início da acção.
b) Começa pouco depois de os portugueses saírem de Lisboa.
c) Começa quando os portugueses já estão no Oceano Índico.
d) Nenhuma destas hipóteses

18/01/2010

OS LUSÍADAS, CANTO III - INÊS DE CASTRO- Ficha de trabalho



OS LUSÍADAS, CANTO III - INÊS DE CASTRO- Ficha de trabalho

OS LUSÍADAS, CANTO III - INÊS DE CASTRO

Plano narrativo: História de Portugal


Narrador: Vasco da Gama


No Canto III, Vasco da Gama, agora narrador, começa a contar a História de Portugal ao rei de Melinde. As estrofes 118 a 137 são dedicadas ao episódio da morte de Inês de Castro, no reinado de D. Afonso IV.


O que diz a História de Portugal


Inês de Castro descendia de uma família nobre de Galiza vem para Portugal na companhia de D. Constança, noiva do infante D. Pedro. Nasce então um amor, muito criticado na época, entre D. Inês e o infante.


Razões políticas(D. Inês era galega e a sua descendência podia interferir nos destinos do Reino) e morais ( D. Pedro já era casado) levam D. Afonso IV, pai de D. Pedro, a ordenar a execução de D. Inês.


No dia 7 de Janeiro de 1355, D. Inês é degolada. Mais tarde, D. Pedro perseguirá e castigará os responsáveis pela morte da amada. Em 1360, D. Pedro declara que chegou a casar com D. Inês. O corpo dela é transladado de Coimbra para um túmulo no Mosteiro de Alcobaça, onde repousa, até hoje, ao lado de D. Pedro.


A Morte de D. Inês de Castro vista por Camões


N`Os Lusíadas, D. Inês de Castro é morta por uma espada que lhe trespassa o coração, vítima inocente do Destino e do Amor. O acontecimento histórico dá lugar a um outro, mais poético, que tem sido recontado ao longo dos séculos por vários escritores.


A linguagem utilizada tem características próprias da lírica, pois é muito emotiva e o poeta interrompe várias vezes a narrativa da história para dar a sua opinião.


Resumo


Estrofes

Resumo

118
Introdução: Localização temporal do acontecimento e apresentação das personagens e da história que vai ser contada.
119
O poeta dirige-se ao Amor e responsabiliza-o pela morte de Inês.
120-121
Inês leva, em Coimbra, uma vida feliz e despreocupada. Apenas as saudades do seu príncipe lhe causam alguma preocupação.
122-123
Apresentação de algumas razões que levaram D. Afonso IV a ordenar a morte de Inês: O infante D. Pedro recusa outras pretendentes e o pai convence-se de só a morte de Inês apagará o «fogo aceso» do amor.
124-125
Inês é trazida pelos algozes (carrascos), olha para os filhos e, com voz piedosa e triste, prepara-se para falar ao rei.
126-129
Num discurso comovente, Inês tenta demover Afonso IV, apelando à humanidade do rei.
130(vv.1-4)


Comovido pelas palavras de Inês, o rei hesita, mas o povo e os carrascos convencem-no a prosseguir a execução.


130(vv. 5-8)-132
Inês de Castro é assassinada pelos algozes. Este acto é condenado pelo poeta .
133-135
Nova intervenção do poeta a reforçar a condenação do cruel assassínio. Descrição dos efeitos da morte de Inês na Natureza: os vales ecoaram a sua última palavra - o nome de Pedro - e as lágrimas choradas pelas «filhas do Mondego» transformaram-se na fonte dos Amores, em Coimbra. Descrição emotiva do corpo de Inês morta: « O cheiro traz perdido e a cor murchada:/ Tal está, morta, a pálida donzela, / Secas do rosto as rosas e perdida / Branca e viva cor, co a doce vida», III, 134, vv 4-8.
136-137
Após a subida ao trono, D. Pedro persegue e castiga os responsáveis pela morte de Inês.


Nota que:


Apesar de ser também responsável pela morte de D. Inês de Castro, Afonso IV nem sempre é descrito, neste episódio, como um terrível vilão. O peta tenta, em vários momentos, desculpabilizar a atitude do rei:


  • «Traziam-a os horrificos algozes / Ante o Rei, já movido a piedade; / Mas o povo, com falsas e ferozes / Razões, à morte crua o persuade», III, 124, vv 1-4;
  • Queria perdoar-lhe o Rei benino, / Movido das palavras que o magoam;/ Mas o pertinaz povo e seu destino/ (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam», III, 130, vv.1-4.

16/01/2010

OS LUSÍADAS, CANTO I - PROPOSIÇÃO



Ficha de trabalho

OS LUSÍADAS, CANTO I - PROPOSIÇÃO



Síntese Esquemática

24/06/2009

Ficha de Avaliação - Os Lusíadas


10/04/2009

Ficha de trabalho _ Os Lusiadas

4
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Foi sempre em verso humilde, celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene.

5
Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda.
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no Universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.

6
E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antiga liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena cristandade,
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da vossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Pera do mundo a Deus dar parte grande;

Camões, Os Lusíadas




1. Localize as estâncias acima transcritas na estrutura interna de Os Lusíadas.

2. Aponte as razões que teriam levado Camões a invocar as Tágides.

3. Refira os pedidos formulados e o tom utilizado nesses pedidos.

4. Nestas duas estâncias existe uma distinção entre a lírica e a épica. Cite as expressões que caracterizam cada um dos estilos.

5. Explique o sentido das expressões:

5.1. “Mas de tuba canora e belicosa
Que o peito acende e a cor ao gesto muda.” (5, vv. 3, 4)

5.2. “Que se espalhe e se cante no Universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.” (5, vv. 7, 8)

6. Faça um breve comentário formal à estância 5.

06/03/2009

Os Lusíadas – Narração- Consílio dos Deuses


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