18/01/2010

OS LUSÍADAS, CANTO III - INÊS DE CASTRO

Plano narrativo: História de Portugal


Narrador: Vasco da Gama


No Canto III, Vasco da Gama, agora narrador, começa a contar a História de Portugal ao rei de Melinde. As estrofes 118 a 137 são dedicadas ao episódio da morte de Inês de Castro, no reinado de D. Afonso IV.


O que diz a História de Portugal


Inês de Castro descendia de uma família nobre de Galiza vem para Portugal na companhia de D. Constança, noiva do infante D. Pedro. Nasce então um amor, muito criticado na época, entre D. Inês e o infante.


Razões políticas(D. Inês era galega e a sua descendência podia interferir nos destinos do Reino) e morais ( D. Pedro já era casado) levam D. Afonso IV, pai de D. Pedro, a ordenar a execução de D. Inês.


No dia 7 de Janeiro de 1355, D. Inês é degolada. Mais tarde, D. Pedro perseguirá e castigará os responsáveis pela morte da amada. Em 1360, D. Pedro declara que chegou a casar com D. Inês. O corpo dela é transladado de Coimbra para um túmulo no Mosteiro de Alcobaça, onde repousa, até hoje, ao lado de D. Pedro.


A Morte de D. Inês de Castro vista por Camões


N`Os Lusíadas, D. Inês de Castro é morta por uma espada que lhe trespassa o coração, vítima inocente do Destino e do Amor. O acontecimento histórico dá lugar a um outro, mais poético, que tem sido recontado ao longo dos séculos por vários escritores.


A linguagem utilizada tem características próprias da lírica, pois é muito emotiva e o poeta interrompe várias vezes a narrativa da história para dar a sua opinião.


Resumo


Estrofes

Resumo

118
Introdução: Localização temporal do acontecimento e apresentação das personagens e da história que vai ser contada.
119
O poeta dirige-se ao Amor e responsabiliza-o pela morte de Inês.
120-121
Inês leva, em Coimbra, uma vida feliz e despreocupada. Apenas as saudades do seu príncipe lhe causam alguma preocupação.
122-123
Apresentação de algumas razões que levaram D. Afonso IV a ordenar a morte de Inês: O infante D. Pedro recusa outras pretendentes e o pai convence-se de só a morte de Inês apagará o «fogo aceso» do amor.
124-125
Inês é trazida pelos algozes (carrascos), olha para os filhos e, com voz piedosa e triste, prepara-se para falar ao rei.
126-129
Num discurso comovente, Inês tenta demover Afonso IV, apelando à humanidade do rei.
130(vv.1-4)


Comovido pelas palavras de Inês, o rei hesita, mas o povo e os carrascos convencem-no a prosseguir a execução.


130(vv. 5-8)-132
Inês de Castro é assassinada pelos algozes. Este acto é condenado pelo poeta .
133-135
Nova intervenção do poeta a reforçar a condenação do cruel assassínio. Descrição dos efeitos da morte de Inês na Natureza: os vales ecoaram a sua última palavra - o nome de Pedro - e as lágrimas choradas pelas «filhas do Mondego» transformaram-se na fonte dos Amores, em Coimbra. Descrição emotiva do corpo de Inês morta: « O cheiro traz perdido e a cor murchada:/ Tal está, morta, a pálida donzela, / Secas do rosto as rosas e perdida / Branca e viva cor, co a doce vida», III, 134, vv 4-8.
136-137
Após a subida ao trono, D. Pedro persegue e castiga os responsáveis pela morte de Inês.


Nota que:


Apesar de ser também responsável pela morte de D. Inês de Castro, Afonso IV nem sempre é descrito, neste episódio, como um terrível vilão. O peta tenta, em vários momentos, desculpabilizar a atitude do rei:


  • «Traziam-a os horrificos algozes / Ante o Rei, já movido a piedade; / Mas o povo, com falsas e ferozes / Razões, à morte crua o persuade», III, 124, vv 1-4;
  • Queria perdoar-lhe o Rei benino, / Movido das palavras que o magoam;/ Mas o pertinaz povo e seu destino/ (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam», III, 130, vv.1-4.

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