21/09/2014

Cesário Verde

CESÁRIO VERDE


TEMÁTICAS

POEMAS
- Binómio cidade/campo:
·cidade:
       .  símbolo da confusão (Babel), da    infelicidade;
       . doenças, morte, fatalidade, destruição;
       . Babel, velha e corruptora
                 ↳Presente

·campo:
       . símbolo do amor, da felicidade;
       . saúde, fertilidade, actividade útil
                     ↳Passado



“Setentrional”
“Nós”
“A Débil”, “Avé-Marias“ 



“Setentrional”
“Nós”
- A questão social; o poeta e os humildes; crítica social:

    - solidariedade com os humildes, vítimas das injustiças sociais. Aplaude “o protesto franco e salutar em favor do povo” (Conde de Monsarás) (Dic. Lit.). Literatura um instrumento de transformação social:
       -  ataca os alicerces da sociedade burguesa do Constiticionalismo.
       -  C.V., comovido com os suor humilde do povo, esboça “quadros revoltados” (Dic. Lit. 1037) – injustiças, subserviência, não têm medo do trabalho, enfrentam lutas quotidianas com determinação e força, numa atitude corajosa;
      - crítica à imprensa: adulação e suborno.







“Deslumbramentos”

“Contrariedades”
“Avé-Marias”



“Contrariedades”



ASPECTOS RELEVANTES NA POESIA
EXEMPLOS
- Poetização do real; o quotidiano na poesia: poesia analítica – real* analisado nos seus elementos constitutivos; as imagens dadas são de grande nitidez e precisão (formas, cores, sons, cheiros) (V. Ferreira).

“Contrariedades”
“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- Amor da actividade útil, saudável. Respeito pela ciência positiva do seu tempo. Confiança no progresso (Dic. Lit.).

“Nós”
- A imagética feminina:
·mulher bonina(infl. Românticas); panegírico da excelsitude feminina: frágil, terna, ingénua, despretensiosa, desperta no sujeito poético o desejo de a proteger e estimar;
·fria inglesa; “burguesinha do catolicismo” é o produto fútil e indefeso duma educação errada; (Dic. Lit. 785); produto de convenções mundanas, frígida, frívola, calculista, destrutiva, dominadora, sem sentimentos, mulher fatal, o seu erotismo é humilhante, predadora.


“Setentrional”
“A Débil”


“Deslumbramentos”
- Deambulação: como forma de captar a diversidade do real

“Num Bairro Moderno”
“ Avé-Marias”

Observações:
* A objectividade plástica alterna, em vários passos, com a fuga imaginativa – o jogo do “real” e do “irreal”[surrealismo] – por breves momentos, porque logo o poeta tem de regressar à esfera sensorial, à “realidade” comum.

- O amor, neste poeta, é um motivo secundário.

- Preocupação com a morte: poetas doentes, tuberculosos ou já tocados pela preocupação do mal que os minará – Cesário refugia-se na exaltação da vida salubre (Dic. Lit. 673).

- C.V. é um poeta da infância – saudade (Dic. Lit. 1003). Remomoração subjectiva: C.V. com a ilusão de saúde, evoca as valentias e os terrores de “destro e bravo rapazito” [“Em petiz”](Dic. Lit. 467).

A uma concepção romântica da natureza o poeta preferea lição realista e positiva do campo [“Nós”]. O campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, não aparece associado ao bucolismo ou ao devaneio poético, mas ao espaço real, onde se podem observar os camponeses na sua lide diária – dia a dia concreto, autêntico e real →“poeta da Natureza anti-literária, das coisas boas, gostosas, cheirosas, úteis , do labor equilibrado, produtivo.” (Dic. Lit.)





CARACTERÍSTICAS  DA  POESIA
POEMAS
- Poesia prosaica (quer pela temática, o quotidiano, quer pela forma, de onde a emotividade está ausente [embora, por vezes, haja laivos]) (V. Ferreira).

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- Rigor sintáctico, precisão parnasiana (Dic. Lit.).

Todos
- A poesia de um artista plástico, enamorado do concreto, descreve de modo vivo, exacto, as suas experiências (Dic. Lit.); cromatismo lírico (Dic. Lit);

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”
- “Objectividade” antilírica (que não impede, no entanto, a expressão, embora discreta, de ideias e sentimentos que definem o homemsituado)(Dic. Lit.).
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- Há também uma imaginação transfiguradora

“Num Bairro Moderno”
“Avé-Marias”


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“Num Bairro Moderno”; “Avé-Marias”
- Verso decassilábico (10) ou alexandrino (12), sugerindo a imponência e superioridade, nobreza e altivez, grandiosidade solenidade (V. Ferreira).
Todos


Observações:
- Prosaico: que é em prosa ou da natureza da prosa; que é material ou destituído de poesia.

- Prosaísmo: prosificação do discurso poético: objectividade anti-lírica.

- Fino humor, hábil uso do adjectivo (Dic. Lit). – Tom coloquial (Dic. Lit.)

Teste Modelo: O Cavaleiro da Dinamarca

1. Lê o texto com atenção:

Quando chegou o dia de Natal, ao fim da tarde, o cavaleiro dirigiu-se para a gruta de Belém. Ali rezou no lugar onde a Virgem, São José, o boi, o burro, os pastores, os pastores, os Reis Magos e os Anjos tinham adorado a criança acabada de nascer. E, quando na torre das Igrejas bateram as doze badaladas da meia-noite, o Cavaleiro julgou ouvir um cântico altíssimo cantado por multidões inumeráveis, a oração dos Anjos:”Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.”
Então desceu sobre ele uma grande paz e uma grande confiança e, chorando de alegria, beijou as pedras da gruta.
Rezou muito, nessa noite, o cavaleiro. Rezou pelo fim das misérias e das guerras, rezou pela paz e pela alegria do mundo. Pediu a Deus que o fizesse um homem de boa vontade, um homem de vontade clara e direita, capaz de amar os outros. E pediu também aos anjos que o protegessem e guiassem na viagem de regresso, para que, dai a um ano, ele pudesse comemorar o Natal na sua casa com os seus.
Passado o Natal o cavaleiro demorou-se ainda mais dois meses na Palestina visitando os lugares que tinham visto passar Abraão e David, os lugares que tinham visto passar a arca da aliança, o cortejo da Rainha do Sabá e seus camelos carregados de perfumes, os exércitos da Babilónia, as legiões romanas e Cristo pregando às multidões.
Depois, em fins de Fevereiro, despediu-se de Jerusalém e, na companhia de outros peregrinos, partiu para o porto de Jafa.
Entre esses peregrinos havia um mercador de Veneza com quem o cavaleiro travou grande amizade.
Em Jafa foram obrigados a esperar pelo bom tempo e só embarcaram em meados de Fevereiro.
Mas uma vez no mar foram assaltados pela tempestade. O navio ora subia na crista da vaga ora recaía pesadamente estremecendo de ponta a ponta. Os mastros e os cabos estalavam e gemiam. As ondas batiam com fúria no casco e varriam a popa. O navio ora virava todo para a esquerda, ora virava todo para a direita, e os marinheiros davam à bomba para que ele não se enchesse de água. O vento rasgava as velas em pedaços e navegavam sem governo ao sabor do mar.
- Ah! - pensava o cavaleiro. - Não voltarei a ver a minha terra.
Mas passados cinco dias o vento amainou, o céu descobriu-se, o mar alisou as suas águas. Os marinheiros içaram velas novas e com a brisa soprando a favor puderam chegar ao porto de Ravena, na costa do Adriático, nas terras de Itália.

in O Cavaleiro da Dinamarca, Sophia de Mello Breyner ©Ao Encontro das Palavras 2009 - http://vanda51-emportugues.blogspot.com/ (adaptação).

1.       Contextualiza este excerto na estrutura da obra a que pertence.


2.       O título da obra - O Cavaleiro da Dinamarca - dá-nos de imediato duas informações a respeito da personagem principal. Indica-as.

3.       Indica o local para onde se dirigiu o Cavaleiro da Dinamarca no dia de Natal e o que aí foi fazer.

4.       Explicita os sentimentos experimentados pelo cavaleiro ao ouvir as doze badaladas na gruta de Belém, na noite de Natal.

5.       Caracteriza psicologicamente o cavaleiro. Justificando a tua resposta.

6.       Indica o motivo pelo qual, em Jafa, o Cavaleiro ficou impossibilitado de prosseguir viagem.

7.       “- Ah! - pensava o Cavaleiro. - Não voltarei a ver a minha terra.”
7.1. Explica os motivos da afirmação do Cavaleiro.

8.       Refere os locais por onde passou o cavaleiro.

9.       Depois de a tempestade ter passado, refere o local onde os marinheiros aportaram.

10.    “Cântico altíssimo cantado por multidões.”
10.1. Identifica o adjectivo presente nesta frase e diz em que grau se encontra.
10.2. Indica um antónimo do adjetivo da frase no grau superlativo absoluto analítico

11.    “Depois, em fins de Fevereiro, despediu-se de Jerusalém e, na companhia de outros peregrinos, partiu para o porto de Jafa.
Entre esses peregrinos havia um mercador de Veneza com quem o cavaleiro travou grande amizade. “
11.1.Indica o modo e o tempo das formas verbais a negrito na frase.
11.2.Coloca a primeira frase no pretérito mais-que-perfeito do indicativo e a segunda frase no condicional.
11.3. Classifica as palavras sublinhadas.

12.   Na descrição da tempestade, são utilizadas várias personificações.
12.1. um exemplo, justificando a tua resposta e indicando o seu valor expressivo.

13.   Indica o hiperónimo das seguintes palavras: Jerusalém, Veneza e Ravena



14.   Imagina que és dono da livraria e que um cliente gostaria de saber um resumo da parte inicial de “O Cavaleiro da Dinamarca”. Reconta a história, tendo em conta o provérbio popular “Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto”. Deves usar dois modos de representação do discurso (descrição e narração) e recursos expressivos (metáforas, personificações, comparações, enumerações e adjetivação expressiva).

Fernando Pessoa e a Mensagem

Enquadramento histórico
»        Início do século XX
»        Avanço tecnológico e científico em contraste com as más condições de trabalho
»        Capitalismo conduz à I Guerra Mundial (1914-1918) e Revolução russa (1917)
»        Necessidade de repensar a sociedade e o próprio Homem:
o   Nietzsche põe em causa os fundamentos de então e sugere uma reavaliação dos valores para viver a vida na sua plenitude;
o   Freud demonstra a complexidade do homem e o seu lado inconsciente;
o   Einstein põe em causa grande parte do conhecimento científico.

Arte
»        Em rutura com a tradição, os artistas optam por uma abordagem mais irónica e provocatória
»        Na literatura, os protagonistas passam de heróis a seres vulgares
»        Enaltecido pelas correntes literárias anteriores, o indivíduo perde a sua identidade e unidade, criando “outros eus” (fragmentação do eu)
»        Maior liberdade na linguagem, dando sentidos metafóricos novos às palavras
»        Reinventam-se as formas, usam-se técnicas novas e experimentam-se caminhos desconhecidos
»        Movimentos:
o   Modernismo: diversidade e pluralidade; caminho pessoal de questionação e reinvenção dos valores
o   Futurismo: movimento, velocidade e máquina como demonstração de força do indivíduo
o   Cubismo: fracionamento da realidade
o   Abstracionismo: recusa de representação do real
o   Surrealismo: apelo à imaginação, sonho e loucura; escrita automática

Fernando Pessoa
            Nasce a 13 de junho de 1888, em Lisboa. Emigra aos 7 anos para Durban, África do Sul, onde obtém excelente rendimento escolar. Regressa a Lisboa em 1905, onde frequenta dois anos o Curso Superior de Letras. Monta a tipografia Íbis, que nunca funcionou e se revelou um fracasso. Em 1912 publica na revista Águia e em 1914 cria os heterónimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Funda com Mário de Sá-Carneiro a revista Orpheu, introdutora do Modernismo em Portugal. Em 1917 publica com Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso e Santa-Rita (“Geração de Orpheu”) o Portugal Futurista. O seu único livro, Mensagem, é publicado em 1934. Morre a 30 de novembro de 1935, na sequência de uma crise hepática.

Palavras-chave em Fernando Pessoa
Alma, Loucura, Absoluto, Sonho, Noite, Nevoeiro



Mensagem – Análise de textos
1.ª Parte
1.      O dos Castelos
»        Personificação da Europa
»        “Futuro do passado” designa uma alma que permanece.
2.      Ulisses
»        Lenda da criação da cidade de Lisboa por Ulisses
»        “O mito é o nada que é tudo”: apesar de fictício, legitima e explica a realidade
»        O mito está num plano superior à realidade, dada a sua intemporalidade
3.      D. Afonso Henriques
»        D. Afonso Henriques equiparado a Deus, tendo como missão o combate aos Infiéis
»        Vocabulário de dimensão sagrada: “vigília”, “infiéis”, “bênção”
»        Referência ao aparecimento de Deus a D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique
4.      D. Dinis
»        Mitificação de D. Dinis pela sua capacidade visionária (plantou os pinhais que viriam a ser úteis nos Descobrimentos); construtor do futuro
»        O Presente é “noite”, “silêncio” e “Terra”, enquanto que o futuro é os pinhais, com som similar ao do mar, daí a “terra ansiando pelo mar”
5.      D. Sebastião rei de Portugal
»        A “loucura” ou “sonho” é a capacidade de desejar e ter iniciativa, para ultrapassar o estado de “cadáver adiado que procria” (simplesmente vive esperando a morte)
»        Convite a que outros busquem a grandeza para construir algo importante (“Minha loucura, outros que me a tomem”)
»        Para ser grande, Portugal deve ter loucura e desejar grandeza, para poder “renascer o país”
»        Enquanto figura histórica, D. Sebastião morreu em Alcácer-Quibir (“ficou meu ser que houve”) mas persiste enquanto lenda e exemplo de “loucura” (“não o que há”)
»        Apesar do fracasso, a batalha de Alcácer-Quibir é importante para motivar e recuperar Portugal do estado de “morte psicológica”

2.ª Parte
1.      O Infante
»        “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce”: descrição do processo de criação
»        Porque Deus quis unir a Terra, “criou” o Infante D. Henrique para que este impulsionasse a obra dos Descobrimentos
»        Mitificação do infante, criado e predestinado por Deus
»        Depois de criado o Império material (“Cumpriu-se o mar”), “o Império se desfez”, faltando “cumprir-se Portugal”, sob a forma de um Quinto Império espiritual
2.      Horizonte
»        O horizonte (“longe”, “linha severa”, “abstrata linha”) simboliza os limites
»        Descrição das tormentas da viagem (passado), da chegada (presente) e reflexão (projeção futura)
»        A esperança e a vontade são impulsionadoras da busca
»        O sucesso permite atingir o Conhecimento como recompensa
3.      Ascensão de Vasco da Gama
»        Capacidade de interferência de Vasco da Gama no plano mitológico das guerras entre deuses e gigantes
»        Ascensão de Vasco da Gama e dos Portugueses, porque devido aos seus feitos “se vão da lei da morte libertando”, perante pasmo quer no plano mitológico (deuses e gigantes) quer no plano terreno (pastor)
4.      O Mostrengo
»        Existência permanente do desconhecido
»        O homem do leme treme com medo do perigo, mas enfrenta-o (herói épico)
»        Imposição progressiva do homem do leme ao mostrengo
5.      Mar Português
»        Lamentação do “preço” dos descobrimentos e reflexão sobre a sua utilidade
»        O mar (“sal”, “lágrimas”) é de origem portuguesa – mitificação de Portugal
»        “Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena”: o preço da busca é recompensado, neste caso tornando-se português o mar.
»        É no mar (desconhecido) que se espelha o céu
»        Cumprir o sonho é ultrapassar a dor
6.      Prece
»        Poema de transição da 2.ª para a 3.ª parte da obra
»        Descrição negativa do presente e consequente saudade do passado
»        “O frio morto em cinzas a ocultou:/A mão do vento pode erguê-la ainda.”: Debaixo das cinzas ainda resta alguma esperança
»        Demonstração do desejo de novas conquistas
»        Independentemente da conquista, interessa “que seja nossa” para recuperar a identidade e glória passadas.
»        O Passado é representado pela grandeza nacional (Descobrimentos) e o Presente pela saudade do passado, daí a necessidade de recuperar o fulgor e o tom de esperança implícito no poema

3.ª Parte
1.      O Quinto Império
»        “Triste de quem é feliz!”: Felicidade de quem não sonha, não passando de “cadáver adiado que procria”
»        Quem sonha está permanentemente descontente, e por isso tem objetivos
»        Depois de quatro Impérios, um novo nascerá, começado por D. Sebastião
»        D. Sebastião morreu, mas a mitificação permanente permite que o sonho persista e que possa ser prosseguido – “minha loucura, outros que me a tomem”
2.      Screvo meu livro à beira-mágoa
»        Descontente face à situação do mundo, o poeta vive na ânsia do sonho e da vinda do “Encoberto” para o despertar
»        O vocativo varia, assegurando apenas a vinda de um messias, independentemente da sua identidade
»        O sujeito poético apela à vinda do destinatário para “acordar” o povo
3.      Nevoeiro
»        Metáfora do Portugal presente, na indefinição, obscuridade e incerteza
»        O país vê-se perante uma crise de identidade e valores
»        Ao contrário da nação, o sujeito poético está inquieto, chorando a saudade do passado
»        É chegada a hora de preparar o futuro, despertar o reino e cumprir a missão já que ao nevoeiro sucede um novo dia
Estrutura da Obra
A Mensagem divide-se em três partes fundamentais:
1.ª Brasão (nascimento) – Fundação da nacionalidade e presença de heróis lendários e históricos, de Ulisses a D. Sebastião, passando por D. Afonso Henriques e D. Dinis
            2.ª Mar Português (realização) – ânsia do desconhecido e luta contra o mar. Apogeu dos portugueses nos Descobrimentos        
            3.ª O Encoberto (morte) – Morte de Portugal simbolizada no nevoeiro; afirmação do mito sebástico na figura do “Encoberto”; apelo e ânsia da construção do Quinto Império
            Estas três partes conduzem à ideia de renascimento futuro do país

Simbologia
Água: fonte e origem da vida, purificação, retorno
Ar: espiritualização, vento, sopro, intermediário entre céu e terra, vida invisível
Cinzas: morte, penitência, dor
Dia: nascimento, crescimento, plenitude e declínio da vida
Espada: estado militar, bravura, poder. Destrói mas restabelece e mantém paz e justiça
Fogo: purificação, regeneração, iluminação, destruição
Manhã: luz pura, vida paradisíaca, confiança no próprio, nos outros e na existência
Mar: dinâmica da vida, nascimento, transformação
Morte: fim absoluto do que é positivo e/ou vivo, aquilo que desaparece na evolução, acesso a uma vida nova de libertação das forças negativas
Noite: tristeza, angústia, começo da jornada, tempo de gestação e conspiração, imagem do inconsciente, trevas e fermento do futuro (preparação do dia)
Números:
            1: verticalidade, criador, centro cósmico e místico, revelação
            2: oposição, conflito, reflexão, equilíbrio, esforço, combate
            3: ordem intelectual e espiritual, divino, unidade do ser vivo, perfeição
4: solidez, sensível, terrestre, totalidade, universalidade
5: união, ordem, harmonia, equilíbrio, perfeição, sentidos, relação céu/terra
6: prova entre bem e mal
7: poder, pacto entre Deus e Homem, plenitude, perfeição, equilíbrio, realização total, ciclo concluído, consciência da vida
8: equilíbrio cósmico, época eterna, justiça, ressurreição e transfiguração
9: medida das gestações, plenitude, coroação de esforços
10: totalidade, criação do universo
12: divisões espácio-temporais, complexidade do universo, ciclo fechado
13: mau augúrio
17: número nefasto   
Pedra: Construção, sedentarização do Homem, relação entre terra e céu
Sonho: incontrolado, escapa à vontade do indivíduo, necessário ao equilíbrio biológico e mental
Terra: substância universal, matéria-prima, função maternal, regeneração



Funcionamento da Língua
Relações entre Palavras
»        Hiperonímia: a significação da palavra inclui a significação da outra
»        Hiponímia: a significação de uma é abrangida pela significação da outra
»        Holonímia: a palavra refere um todo enquanto que a outra refere a parte
»        Meronímia: a palavra refere uma parte do todo

Referências Deíticas
»        Pessoais: marcas do eu em relação ao outro
»        Temporais: Marcas do tempo em função do “agora”
»        Espaciais: Marcas de localização em função do ”aqui”

Expressões Nominais – Valores referenciais
»      Definidas: antecedidas por determinante artigo definido ou demonstrativo; são um nome próprio ou pronome pessoal
»      Valor referencial:
o   Específico: indica conhecimento compartilhado pelos interlocutores
o   Genérico: refere-se à classe de entidades de forma geral
»      Indefinidas: antecedidas por determinante artigo indefinido ou nulo
»      Valor referencial:
o   Específico: não há necessidade de acrescentar elementos para compreender a frase
o   Não Específico: refere um conjunto de propriedades não justificadas
o   Genérico: referem-se ao nome no seu sentido geral

Expressões Nominais – Valor do Adjetivo
»      Restritivo: se colocado depois do nome
»      Não restritivo: anteposto ao nome

Expressões Nominais – Valor das Orações Relativas
»      Relativas Explicativas: acrescenta informação sem alterar o sentido da frase. Tem valor explicativo e é colocada entre vírgulas
»      Relativas restritivas: limita ou especifica o antecedente, diferenciando-o. Tem valor restritivo e a sua ausência altera o significado da frase

Expressões Predicativas – Tempo
»        São os tempos verbais que conferem a noção de tempo, bem como do sujeito enunciador e do modo
»        Valores temporais
o   Simultaneidade: as ocorrências dão-se ao mesmo tempo
o   Anterioridade: ocorrência anterior ao tempo de enunciação
o   Posterioridade: ocorrência posterior ao tempo de enunciação



Expressões Predicativas – Aspeto
»        Lexical
o   Instantâneo: situações pontuais
o   Prolongado: pressupõem uma certa duração
o   Atividades: podem, em teoria, prolongar-se indefinidamente
o   Estados: exprimem sentimentos ou qualidades, pelo que são independentes do tempo
»        Gramatical
o   Perfetivo: a ação está concluída
o   Imperfetivo: a ação é prolongada e ainda não está concluída
o   Genérico: situações intemporais, permanentes
o   Habitual: repete-se por tempo teoricamente ilimitado
o   Iterativo: repete-se periodicamente (habitual não fixo)
o   Pontual: ação momentânea. É normalmente um evento instantâneo
o   Durativo: ação prolonga-se durante algum tempo
Podem ser combinados vários aspetos

Expressões Predicativas – Modalidade
»        Modalidade Epistémica: atitude do locutor em relação ao que enuncia
o   Valor de certeza
o   Valor de probabilidade
o   Valor de possibilidade
»        Modalidade Deôntica: O locutor procura agir sobre o interlocutor
o   Valor de obrigação
o   Valor de permissão
»        Modalidade Apreciativa: Exprime um juízo valorativo com valor de certeza

Atos de fala e intenção comunicativa
            Um ato de fala é um comportamento verbal, governado por regras que asseguram intenções comunicativas.
Tipos de atos de fala:
»        Assertivos: transmitem uma posição ou verdade assumida por quem fala
»        Declarativos: Exprimem uma realidade criada pelo próprio ato de fala
»        Expressivos: expressam sentimentos e emoções de quem fala
»        Diretivos: pretendem conduzir o outro a uma ação
»        Compromissivos: compromisso assumido pelo sujeito que fala
»        Declarativos assertivos: reúnem os objetivos dos declarativos e dos assertivos
Estes podem ser:
»        Diretos: o que se diz é o que se pretende dizer

»        Indiretos: é feito indiretamente um pedido, ordem ou convite

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