18/09/2010

Ficha de Verificação de Leitura da obra: SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES do Padre António Vieira

1. O Sermão de Santo António aos Peixes foi pregado pelo            ________________________________, no ______________, a ______________________de ____________.

 

2. O Sermão começa por um __________________________  escrito em ___________.

 

3. Vieira dirige-se aos _______________________________, o sal são____________________ e a terra ___________________.

 

4. A palavra de Deus não está a fazer fruto. Os culpados tanto podem ser os _________________ como os ___________________.

 

5. Se o mal está do lado dos pregadores; Cristo apresenta a solução: ____________________________

________________________________________.

 

6. Se o mal está do lado dos ouvintes, o melhor é fazer como _____________________ e começar a pregar aos ________________.

 

7. O Pregador termina a primeira parte do Sermão, a que é dado o nome de ________________, invocando _______________________.

 

8. A partir do capítulo II, todo o texto é uma alegoria porque __________________________________

_______________________________________.

 

9. Os peixes, como ouvintes, apresentam duas qualidades: ______________ e _____________, no entanto, ______________________, o que entristece um pouco o Pregador.

 

10. Se tal como os homens também há peixes ______________ e peixes _____________, há que ___________ e ______________.

 

11. De entre todos os animais, os peixes são aqueles que não se _____________ nem ______________.

 

12. Os animais que vivem junto do homem estão _______________ e tornam-se __________________.

 

13. Santo António também deixou Lisboa e foi para ____________ e dali para ______________.

 

14. O primeiro peixe a ser louvado é ______________________ pois o seu ___________ era bom para ___________________________ e o coração ______________________________________. Este é comparado com _______________________ porque ___________________________________.

 

15. O segundo peixe é a _____________ que tem como virtude _______________________________.

 

16. O poder deste é comparado à _______________ de Santo António.

 

17. O terceiro peixe é o ______________ que possui _____________________ que faz ____________ o pescador.

 

18. Vieira desejava que existissem na terra para _____________________________________________

______________________________.

 

19. O último peixe a ser louvado é o ____________________ porque, na realidade, _________________ uns virados para __________ e outros para __________. Assim, pode estar atento aos perigos que vêm do __________ e do ___________.

 

 

20. Vieira lamenta tanta abundância daquele instrumento nos peixes e tanta ________________ nos homens.

 

21. Este peixe ensinou ao Pregador que só devemos olhar __________________ e _______________ porque se olharmos para os lados só vemos ___________________.

 

22. No capítulo IV vai falar das repreensões. A primeira grande repreensão que lhes tem a fazer é o facto de ________________________________________, sobretudo __________________________, a isso chama-se __________________.

 

23. Infelizmente, não são só os ____________ que se ____________, os _____________ também o fazem e de uma maneira cruel.

 

24. Outra repreensão geral é a _______________ e _______________ que os conduz por vezes à morte.

 

25. Estas também existem ___________________.

 

26. Há quem se endivide uma vida inteira por _____________________________________.

 

27. Descendo ao particular, o primeiro peixe é o _______________ cuja ________________ contrasta com _______________________________.

 

28. Também na terra há muitos assim, e dá o exemplo de _____________ e ____________.

 

29. São dois os motivos pelos quais os homens se tornam Roncadores, o __________ e o __________. Como exemplo, do primeiro temos ___________ e do segundo ___________. Só Santo António possuía o __________ e o ___________ e com o seu silêncio disse tudo.

 

30. Os Pegadores são uns autênticos _______________ pois vivem à custa dos outros.

 

31. Esse mal também se encontra nos homens pois os grandes _______________ que vão de _____________ para o ____________ levam sempre __________________ consigo.

 

32. É preciso ter muito cuidado pois quando morre _________________, morrem com ele _____________________________________.

 

33. O penúltimo peixe é o Voador, criticado pela sua ______________ que advém do facto de _____________. Assim, fica sujeito aos perigos do _____________ e do ___________.

 

34. O último a ser alvo de uma profunda crítica é o ____________, considerado __________________ porque _________________________________.

 

35. Este é comparado a ___________ mas a sua maldade é maior porque ___________ e ___________ ao mesmo tempo.

 

36. O lado oposto deste «peixe aleivoso» é ____________________ pela sua ____________________.

 

37. Vieira faz uma advertência final para que _____________________________________________.

 

38. Comparados com os homens, os peixes são __________________________.

 

39. O próprio Pregador sente-se ______________ porque ____________________________________.

 

40. Termina o Sermão, pedindo aos peixes para  _________________ a Deus.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CORRECÇÃO DA FICHA DE VERIFICAÇÃO DE LEITURA DA OBRA:

SERMÃO DE STO. ANTÓNIO AOS PEIXES

 

1. O Sermão de Santo António aos Peixes foi pregado pelo Padre António Vieira, no Maranhão, a 13 de Junho  de 1654.

 

2. O Sermão começa por um  Conceito Predicável  escrito em Latim.

 

3. Vieira dirige-se aos moradores do Maranhão, o sal são os pregadores e a terra ouvintes.

 

4. A palavra de Deus não está a fazer fruto. Os culpados tanto podem ser os Pregadores como os ouvintes .

 

5. Se o mal está do lado dos pregadores; Cristo apresenta a solução: «lançá-lo fora como inútil, para que seja pisado de todos» .

 

6. Se o mal está do lado dos ouvintes, o melhor é fazer como Santo António e começar a pregar aos peixes.

 

7. O Pregador termina a primeira parte do Sermão, a que é dado o nome de Exórdio, invocando Nossa Senhora.

 

8. A partir do capítulo II, todo o texto é uma alegoria porque Vieira dirige-se aos peixes querendo atingir os homens.

 

9. Os peixes, como ouvintes, apresentam duas qualidades: ouvem e não falam, no entanto, não se convertem, o que entristece um pouco o Pregador.

 

10. Se tal como os homens também há peixes bons e peixes maus, há que louvar e repreender.

 

11. De entre todos os animais, os peixes são aqueles que não se domam nem domesticam.

 

12. Os animais que vivem junto do homem estão aprisionados e tornam-se parecidos com eles.

 

13. Santo António também deixou Lisboa e foi para Coimbra e dali para um ermo.

 

14. O primeiro peixe a ser louvado é o peixe de Tobias pois o seu fel era bom para sarar a cegueira e o coração para afastar os maus espíritos. Este é comparado com Santo António porque cura a cegueira dos homens.

 

15. O segundo peixe é a Rémora que tem como virtude a força para parar um navio.

 

16. O poder deste é comparado à boca de Santo António.

 

17. O terceiro peixe é o Torpedo que possui um aparelho que faz tremer o pescador.

 

18. Vieira desejava que existissem na terra para fazer tremer aqueles que pescam tudo.

 

19. O último peixe a ser louvado é o Quatro-Olhos porque, na realidade, quatro olhos uns virados para cima e outros para baixo. Assim, pode estar atento aos perigos que vêm do céu e do mar.

 

20. Vieira lamenta tanta abundância daquele instrumento nos peixes e tanta carência nos homens.

 

21. Este peixe ensinou ao Pregador que só devemos olhar para o céu e para o inferno porque se olharmos para os lados só vemos vaidades.

 

22. No capítulo IV vai falar das repreensões. A primeira grande repreensão que lhes tem a fazer é o facto de se comerem uns aos outros, sobretudo os maiores comerem os mais pequenos, a isso chama-se ictiofagia.

 

23. Infelizmente, não são só os peixes que se comem, os homens também o fazem e de uma maneira cruel.

 

24. Outra repreensão geral é a cegueira e a ignorância que os conduz por vezes à morte.

 

25. Estas também existem nos homens.

 

26. Há quem se endivide uma vida inteira por um simples pedaço de pano.

 

27. Descendo ao particular, o primeiro peixe é o Roncador cuja potente voz contrasta com o seu pequeno tamanho.

 

28. Também na terra há muitos assim, e dá o exemplo de Pedro e Golias.

 

29. São dois os motivos pelos quais os homens se tornam Roncadores, o saber e o poder. Como exemplo, do primeiro temos Caifás e do segundo Pilatos. Só Santo António possuía o poder e o saber e com o seu silêncio disse tudo.

 

30. Os Pegadores são uns autênticos parasitas pois vivem à custa dos outros.

 

31. Esse mal também se encontra nos homens pois os grandes governantes que vão de Portugal para o Brasil levam sempre os Pegadores consigo.

 

32. É preciso ter muito cuidado pois quando morre o Pegador, morrem com ele os que lhe estavam pegados.

 

33. O penúltimo peixe é o Voador, criticado pela sua vaidade que advém do facto de possuir umas barbatanas grandes. Assim, fica sujeito aos perigos do mar e do céu.

 

34. O último a ser alvo de uma profunda crítica é o Polvo, considerado o maior traidor porque se disfarça e ataca os outros.

 

35. Este é comparado a Judas mas a sua maldade é maior porque aperta e prende ao mesmo tempo.

 

36. O lado oposto deste «peixe aleivoso» é Santo António pela sua candura e pureza.

 

37. Vieira faz uma advertência final para que não se apeguem a bens alheios.

 

38. Comparados com os homens, os peixes são piores que estes.

 

39. O próprio Pregador sente-se inferior porque fala, vê, …. E com isso ofende Deus.

 

40. Termina o Sermão, pedindo aos peixes para louvarem a Deus.  

DISCURSO ARGUMENTATIVO

Retrospectiva histórica:

 

Na Grécia ensinavam-se 3 técnicas / artes da linguística:

Ø  Oratória: arte do discurso perante um público (para além de planeado, o discurso deverá ser bem emitido);

Ø  Retórica: técnica / arte de convencer o interlocutor através da Oratória (o discurso é principalmente verbal, mas também pode ser escrito ou visual). A Retórica não visa distinguir o que é verdadeiro ou certo, mas fazer com que o receptor da mensagem chegue sozinho à conclusão de que a ideia implícita no discurso representa o verdadeiro ou o certo;

Ø  Dialéctica: explicação da realidade que se baseia em oposições e em choques entre situações diversas ou opostas. Os elementos do esquema básico do método dialéctico são: a tese (afirmação ou situação inicialmente dada), a antítese (oposição à tese) e a síntese (o resultado do conflito anterior).

 

 

A Retórica antiga defendia os seguintes objectivos programáticos da eloquência (ainda hoje presentes nos textos argumentativos actuais):

  1. docere – componente instrutiva, de natureza intelectual e racional;
  2. delectare – componente estética (deleitar o destinatário com a beleza do discurso);
  3. movere – componente emotiva, capaz de despertar emoções no destinatário que o levavam a aderir às teses defendidas e a agir em conformidade.

 

 

A Retórica antiga distinguia cinco fases na Produção de um texto argumentativo:

1. Invenção (inventio) – investigar e recolher os materiais a utilizar;

2. Disposição (dispositio) – disposição dos materiais na ordem a utilizar no discurso;

3. Elocução (elocutio) – redacção do texto (selecção de palavras, figuras, tipos de frase, etc.);

4. Memória (memoria) – memorização do discurso;

5. Acção / Pronunciação (actio / pronunciatio) – trabalho a nível da voz (boa dicção, domínio da respiração e modulações de voz adequadas às diferentes passagens) e do gesto (postura física expressiva e digna e atenção à expressão facial e das mãos).

 

 

Argumentar – acto de convencer, persuadir ou influenciar o leitor / ouvinte, mediante a apresentação de factos e argumentos, organizados através de um raciocínio coerente e consistente, que provem que o emissor é detentor da razão / verdade.

 

Texto Argumentativo – texto que defende uma tese, com o objectivo de convencer o destinatário da validade ou fundamento da posição defendida, persuadindo-o a adoptá-la como sua.

 

Textos que integram sequências argumentativas:

Ensaios, editoriais, panfletos, protestos, etc.

 

Para atingir o seu objectivo (transformar convicções, interferir nas crenças do destinatário), o texto argumentativo deve:

Ø  Demonstrar – ser claro e lógico na defesa de uma tese;

Ø  Interagir com o mundo do destinatário (a nível dos valores e afectos);

Ø  Seduzir o destinatário (beleza formal do discurso).

 

 

ESTRUTURA do Discurso Argumentativo:

  1. Exposição ou Exórdio: contém a introdução do discurso. Divide-se em duas partes:

Ø  Proposição – enunciado do tema ou assunto;

Ø  Divisão – enumeração das partes que totalizam o discurso.

 

  1. Corpo da Argumentação – desenvolvimento do tema apresentado. Divide-se em:

Ø  Narração – exposição dos factos favoráveis à causa apresentada na Proposição;

Ø  Confirmação e Refutação – partes propriamente argumentativas do discurso, em que se apresenta a prova e se refutam os argumentos contrários.

 

  1. Peroração – fecho dos discurso. Divide-se em:

Ø  Recapitulação – resumo breve dos melhores argumentos;

Ø  Amplificação – apelo às paixões e emoções de forma a comover e a ganhar o auditório.

 

Principais características do Discurso Argumentativo:

Ø  Ser claro;

Ø  Ser curto;

Ø  Ser bem encadeado / utilizar conectores adequados;

Ø  Ser homogéneo;

Ø  Ter um conjunto de bons argumentos;

Ø  Repetir argumentos - chave.

 

 

CONCEITOS E INSTRUMENTOS

 

Tema: assunto debatido, definido por uma noção (ex.: A liberdade); ou por uma questão (ex.: O que é a liberdade).

 

Tese:  opinião defendida acerca do tema e que se opõe a outras teses possíveis (ex.: A liberdade de se fazer o que se quer vs A liberdade deve parar onde começa a dos outros).

 

Argumento: prova usada para defender uma tese (no caso do contra-argumento, tenta-se invalidar a tese).

 

Exemplo: caso concreto que ilustra o argumento.

 

 

(NOTA: Uma tese é demonstrada de forma abstracta pelo argumento e demonstrada de forma concreta pelo exemplo).

 

 

TIPOS DE RACIOCÍNIO

Ø  Raciocínio Dedutivo – cada argumento decorre dos anteriores (vai-se do geral para o particular);

Ø  R. Indutivo – parte de exemplos particulares para chegar a uma lei geral;

Ø  R. Concessivo – concede uma parte da verdade à tese contrária, para defender, de seguida e com mais força, a sua tese;

(NOTA: A concessão apoia-se em conectores: “certamente”, “sem dúvida”, “se é verdade que”, “embora”… e encerra com um conector de oposição: “mas”, “no entanto”, “contudo”).

Ø  R. por Analogia – aproxima-se o tema tratado de uma realidade simples e indiscutível.

 

 

TIPOS DE ARGUMENTO

Ø  Naturais ou de Autoridade: incluem os textos das leis e as opiniões emitidas por pessoas de prestígio e entendidas na matéria;

Ø  Verdades ou Princípios Universais: aceitação generalizada de um facto ou opinião;

Ø  Experiência pessoal;

Ø  Semelhança: apresentação de uma situação semelhante àquela que se está a apresentar.

 

 

MODALIZADORES

1) Estratégias de Modalização – conjunto de processos com os quais o enunciador

matiza, atenua ou afirma a sua posição:

Ø  Aparentar objectividade – uso de termos precisos ou técnicos para imprimir confiança e ser credível;

Ø  Divertir – o discurso deve divertir, recorrendo à ironia, à sátira ou à paródia, para ridicularizar os adversários;

Ø  Comover – espaço para a expressão dos sentimentos, regressando, porém, a um discurso de tipo objectivo e neutro.

2) Ironia – permite fazer compreender uma coisa diferente do que é dito, com o objectivo de ridicularizar a tese contrária.

 

 

O Orador pode usar várias Figuras de Retórica como técnica de persuasão:

Ø  Interrogação retórica;

Ø  Paralelismo;

Ø  Hipérbole;

Ø  Metáfora;

Ø  Comparação.

16/09/2010

Recordações de Infância - Eugénio de Andrade

Recordações de Infância


   Há poucos brinquedos na minha vida, mas, além do arco, do pião e da bilharda, a minha infância está cheia de sol, cheia de água. E do calor quase materno dos animais. Meu avô comprara-me uma  cabra e três ou quatro merinos. E nós já tínhamos um burro e um cão, além das galinhas e do pato. Eu adorava aqueles borreguinhos com olhos de rola, e, depois, a imaginação das crianças é muito vasta: o pequeno engenho feito de juncos por um primo meu facilmente se convertia em azenha. Um rego de água era o mais irreal e navegável dos rios, os bichos feitos de bugalhos e gravetos ganhavam vida por encanto. Chapinhar numa poça de água ou transformar uma cabra em cavalo persa, se isso não é a felicidade, então a felicidade não existe. Os cavalos, sim, foram uma paixão minha, mas só um pouco mais tarde, dos sete para os oito anos, já em Castelo Branco, quando comecei a ver o Tom Mix no cinema Vaz Preto. E foi ainda naquela cidade que tive isso a que talvez se possa chamar o primeiro brinquedo - uma trotineta.
   Ninguém se lembra já de me ver passar pelas ruas belo como um anjo de proa. Mas com ela fui assim uma espécie de Fernão de Magalhães dando a volta ao mundo: descia do Castelo e só parava no Jardim do Paço, depois regressava a casa a horas do pão com compota de ginga e o sorriso da mãe - tão merecidos.

Eugénio de Andrade, Um Olhar Português, Círculo de Leitores

I

1. Com um traço, delimita no texto os momentos correspondentes a:

a) recordações de infância vivida no campo;
b) recordações da infância vivida na cidade.

2. Infância no campo


2.1. Identifica os diferentes elementos que faziam parte do mundo real que o autor recorda.

2.2. Explica como é que a fantasia enriquecia esse mundo real.

3. Infância na cidade


3.1. O real e a fantasia continuavam a entrecruzar-se nos anos de infância vivida em Castelo Branco? Justifica a tua resposta.
3.2. A mudança ensombrou a felicidade dos anos de infância? Justifica a tua resposta.

4. Eugénio de Andrade é um dos grandes poetas da nossa literatura. Regista neste texto de memórias duas expressões ( ou frases) que revelem a sua faceta poética.



02/09/2010

O Texto Dramático

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Principais Temáticas de Alberto Caeiro

Fernando Pessoa

29/08/2010

Viva o Sol!…

Viva o Sol!…images

   Deram-me este Diário quando fiz anos. Tive tal desilusão quando o desembrulhei, que me apeteceu atirá-lo para o caixote do lixo.

  Um livro em branco, à espera que eu, que nem para ler tenho paciência, aí escreva a minha vida. Para algum dia qualquer bisbilhoteiro ficar a saber os meus segredos mais íntimos, se apanhar a chave. Era o que faltava!

   (…) Abri-o. Atirei-o para o fundo da gaveta.

   Hoje encontrei-o. É Domingo. Devia estudar, mas não estou para isso. Folheio o livrinho em branco, imagino o que ainda está em branco na minha vida. Porque não hei-de escrever sobre mim? Quem sabe se virei a ser uma pessoa famosa? Ainda tudo me pode acontecer.

O diário de um super qualquer, que o meu pai tem, está recheado de altos pensamentos. Tão recheado que até enjoa.

   Fora com os pensamentos! Viva o Sol!

   Estou aqui fechada em casa com quatro dinossauros (familiares). E chove: óptimo para as alfaces, péssimo para mim. Que hei-de fazer para sentir que estou viva, senão pôr a musica no máximo?

   Esqueci-me de me apresentar na primeira página. Mas fiz bem. Chamo-me… mas vou inventar um nome falso para mim e para todas as pessoas de que vou falar. Assim serei uma personagem irreconhecível e não vou comprometer ninguém.

   Faz de conta, portanto, que sou a Sofia, que a minha escola é o Colégio Universal. O meu cão será o Pipocas. Só a minha terra permanece Lisboa. Quem me poderá descobrir?

   Por hoje acabo, estão a bater à porta. 

Luísa Ducla Soares, Diário de Sofia e Companhia, Civilização Ed.

   

 

Interpretação

 

1. Indica algumas marcas presentes no texto e que são características de um diário.

 

2. Quando oferecem à narradora o diário, esta não lhe deu qualquer importância.

2.1. Qual a razão que é por ela invocada para se ter sentido assim?

2.2. Qual a palavra que nos revela o seu descontentamento?

 

3. Porque é que a narradora atribuiu um nome diferente a si e a seus amigos?

 

4. Assinala como verdadeiras (V) ou Falsas (F) as seguintes afirmações.

 

Um diário….

 

a) É enviado aos amigos.

b) regista pensamentos.

c) escreve-se semanalmente.

d) não deve registar data.

e) só regista o que de bom nos aconteceu.

Os Géneros Jornalísticos - Notícia; Reportagem; Entrevista




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