02/09/2010

Fernando Pessoa

29/08/2010

Viva o Sol!…

Viva o Sol!…images

   Deram-me este Diário quando fiz anos. Tive tal desilusão quando o desembrulhei, que me apeteceu atirá-lo para o caixote do lixo.

  Um livro em branco, à espera que eu, que nem para ler tenho paciência, aí escreva a minha vida. Para algum dia qualquer bisbilhoteiro ficar a saber os meus segredos mais íntimos, se apanhar a chave. Era o que faltava!

   (…) Abri-o. Atirei-o para o fundo da gaveta.

   Hoje encontrei-o. É Domingo. Devia estudar, mas não estou para isso. Folheio o livrinho em branco, imagino o que ainda está em branco na minha vida. Porque não hei-de escrever sobre mim? Quem sabe se virei a ser uma pessoa famosa? Ainda tudo me pode acontecer.

O diário de um super qualquer, que o meu pai tem, está recheado de altos pensamentos. Tão recheado que até enjoa.

   Fora com os pensamentos! Viva o Sol!

   Estou aqui fechada em casa com quatro dinossauros (familiares). E chove: óptimo para as alfaces, péssimo para mim. Que hei-de fazer para sentir que estou viva, senão pôr a musica no máximo?

   Esqueci-me de me apresentar na primeira página. Mas fiz bem. Chamo-me… mas vou inventar um nome falso para mim e para todas as pessoas de que vou falar. Assim serei uma personagem irreconhecível e não vou comprometer ninguém.

   Faz de conta, portanto, que sou a Sofia, que a minha escola é o Colégio Universal. O meu cão será o Pipocas. Só a minha terra permanece Lisboa. Quem me poderá descobrir?

   Por hoje acabo, estão a bater à porta. 

Luísa Ducla Soares, Diário de Sofia e Companhia, Civilização Ed.

   

 

Interpretação

 

1. Indica algumas marcas presentes no texto e que são características de um diário.

 

2. Quando oferecem à narradora o diário, esta não lhe deu qualquer importância.

2.1. Qual a razão que é por ela invocada para se ter sentido assim?

2.2. Qual a palavra que nos revela o seu descontentamento?

 

3. Porque é que a narradora atribuiu um nome diferente a si e a seus amigos?

 

4. Assinala como verdadeiras (V) ou Falsas (F) as seguintes afirmações.

 

Um diário….

 

a) É enviado aos amigos.

b) regista pensamentos.

c) escreve-se semanalmente.

d) não deve registar data.

e) só regista o que de bom nos aconteceu.

Os Géneros Jornalísticos - Notícia; Reportagem; Entrevista




27/08/2010

Ortografia - Jogo em PowerPoint


Jogo em PowerPoint

Plural dos nomes compostos- Jogo em PowerPoint

Jogo em PowerPoint

Derivação Imprópria

Ficha de trabalho

Derivação Imprópria

Ficha de trabalho

06/08/2010

A concordância do verbo com o sujeito

  A concordância do verbo com o sujeito nem sempre é feita da mesma forma. Verifica a veracidade das seguintes afirmações:

 

  Verdadeira Falsa
a) Quando o sujeito é simples o verbo concorda em pessoa e número com o sujeito.    
b) Quando o sujeito é procedido de expressões quantitativas ( cerca de…) o verbo aparece no singular.  
c) O sujeito composto implica que o verbo surja no singular.    
d) Vai para a 1ª pessoa se um dos sujeitos for um pronome de 1ª pessoa.    
e)Vai para a 2ª pessoa se não houver sujeitos na segunda pessoa.    
f) Vai para a 3ª pessoa se os sujeitos forem todos de 3ª pessoa.    
g) Quando o sujeito é colocado depois do verbo este pode concordar com o elemento que lhe for mais próximo.    
h) Quando os diferentes elementos se referem a uma mesma pessoa o verbo fica no singular.  

 

Correcção:656

 

 

a) V; b) F; c) F; d) V; e) F; f) V; g) V; h) V

09/07/2010

CARTA AO FUTURO, VERGÍLIO FERREIRA

CARTA AO FUTURO

   Meu amigo:

   Escrevo-te para daqui a um século, cinco séculos, para daqui a mil anos... É quase certo que esta carta te não chegará às mãos ou que, chegando, a não lerás. Pouco importa. Escrevo pelo prazer de comunicar. Mas se sempre estimei a epistolografia, é porque é ela a forma de comunicação mais directa que suporta uma larga margem de silêncio; porque ela é a forma mais concreta de diálogo que não anula inteiramente o monólogo. Além disso, seduz-me o halo de aventura que rodeia uma carta: papel de acaso, redigido numa hora intervalar, um vento de acaso o leva pelos caminhos, o perde ou não ai, o atira ao cesto dos papeis e do olvido, ou o guarda entre os sinais da memória. 

                                                                                                    Vergílio  Ferreira, Carta ao Futuro

INTERPRETAR

1. « Meu amigo» é o cabeçalho desta carta.
    Quem será esse «amigo», o receptor da mensagem? Justifica a tua resposta.

2. O autor revela uma grande «atracção» pela carta.

2.1. Indica dois vocábulos que melhor traduzam essa ideia.

2.2. Classifica-os morfologicamente.

3. Qual é a função da carta para o autor? E para ti?

4. Explica o sentido da frase: «...porque ela é a forma mais correcta de diálogo que não anula inteiramente o monólogo.» (l.4)

5. O autor associa a ideia de aventura a uma carta. Porquê?

6. O texto que estás a analisar foi extraído da obra « Carta ao Futuro».
     Explica em que medida o referido extracto está ou não de acordo com o título do livro. 

EXPRESSÃO ESCRITA

1.  Agora é a tua vez de redigires uma carta ao futuro. 

Esta é a Cidade, António Gedeão

FICHA DE TRABALHO
Esta é a Cidade

Esta é a Cidade, e é bela.
Pela ocular da janela
foco o sémen da rua.
Um formigueiro se agita,
se esgueira, freme, crepita,
ziguezagueia e flutua.

Freme como a sede bebe
numa avidez de garganta,
como um cavalo se espanta
ou como um ventre concebe.

Treme e freme, freme e treme,
friorento voo de libélula
sobre o charco imundo e estreme.
Barco de incógnito leme
cada homem, cada célula.
É como um tecido orgânico
que não seca nem coagula,
que a si mesmo se estimula
e vai, num medido pânico.

Aperfeiçoo a focagem.
Olho imagem por imagem
numa comoção crescente.
Enchem-se-me os olhos de água.
Tanto sonho! Tanta mágoa!
Tanta coisa! Tanta gente!
São automóveis, lambretas,
motos, vespas, bicicletas,
carros, carrinhos, carretas,
e gente, sempre mais gente,
gente, gente, gente, gente,
num tumulto permanente
que não cansa nem descança,
um rio que no mar se lança
em caudalosa corrente.

Tanto sonho! Tanta esperança!
Tanta mágoa! Tanta gente!

                   António Gedeão
INTERPRETAR
1. Nesta descrição, qual é a impressão geral que o peta procura produzir?
2. Por que ordem nos é apresentada a cidade:duma visão global para uma visão ao pormenor, ou ao contrário? Justifica, transcrevendo os versos que ilustram o processo escolhido.
3. Transcreve do texto todas as palavras e expressões que insistem sobre o movimento da cidade:
a) Nomes: _________________________________________________________________
b) verbos: ________________________________________________________________
c) adjectivos: ____________________________________________________________
d) metáforas: _____________________________________________________________
e) repetições: ____________________________________________________________
VOCABULÁRIO
4. Eis alguns sinónimos de «movimentado». Escreve frases em que incluas cada um dos sinónimos indicados.
a) agitado ________________________________________________________________
b) tumultuoso _____________________________________________________________
c) animado ________________________________________________________________
d) revoltado ______________________________________________________________
EXPRESSÃO ESCRITA
Tenta escrever um poema à maneira de António Gedeão, começando da seguinte maneira:
Esta é a aldeia, e é bela.
.........................
NOTA: para este trabalho deverás escolher adjectivos, nomes, verbos e recursos estilísticos que melhor traduzam a vida na aldeia.

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