16/03/2010

ESTRUTURA D`OS MAIAS


Os Maias são constituídos por 18 capítulos:

·         Os três primeiros capítulos relatam os antecedentes da Família Maia entre o ano de 1820 e 1875, portanto, 55 anos (mais ou menos 85 páginas);
·         Os catorze capítulos seguintes contam a história de Carlos da Maia durante os cerca de 14 meses que viveu em Lisboa, desde o Outono de 1875 até aos finais de 1876; interligada com os «Episódios da Vida Romântica» (mais ou menos 590 páginas);
·         O último capítulo narra a visita de Carlos a Lisboa, depois de «um exílio de quase dez anos», em Janeiro de 1887 (mais ou menos 27 páginas).
   No romance existem duas histórias: uma intriga secundária - a relação amorosa infeliz de Pedro da Maia e de Maria Monforte - e uma intriga principal - que se desenrola em paralelo com a crónica de costumes. Entre a acção secundária e a principal há pontos comuns não só no desabrochar dos amores, como também no seu desfecho trágico.
   Embora o romance comece com apresentação a «casa [o Ramalhete] que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875», e para dar lugar aos antecedentes da família Maia, como preparação para a acção principal: a juventude de Afonso; a infância e educação de Carlos; a formação académica de Carlos em Coimbra e a sua primeira viagem pela Europa.
   Só depois, a partir do capítulo III, é que se reinicia a narração da acção central - «E então Carlos Eduardo partira para a sua longa viagem pela Europa. Um ano passou. Chegara esse Outono de 1875: e o avô, instalado enfim no Ramalhete, esperava por ele ansiosamente.»- cujo desenlace consiste na degradação familiar: a morte de Afonso da Maia e separação definitiva de Carlos e Maria Eduarda.
   O capítulo XVIII constitui o epílogo da obra: dez anos depois, em 1887, Carlos visita Lisboa e encontra-se inseparável de Ega, com quem viajara pelo mundo, antes de se instalar em Paris. Neste reencontro, e nas reflexões dos dois amigos ao deambularem pela capital, transparece um pessimismo amargo que resulta não só do fracasso pessoal de ambos, mas também do ambiente que os rodeia. 

OS MAIAS de Eça de Queirós


ACÇÃO

Acção Principal
·         Relação amorosa incestuosa entre Carlos da maia e Maria Eduarda.
(Acção Fechada - morte de Afonso da Maia e separação definitiva de Carlos e Maria Eduarda).

Acção Secundária

·         A relação amorosa infeliz entre Pedro da Maia e Maria da Monforte.
(Acção fechada - fuga de Maria Monforte com Tancredo, que leva a filha e deixa Carlos; e consequente suicídio de Pedro da Maia).

Construção da Narrativa

·         Encadeamento - por exemplo, o desenrolar dos amores entre Carlos e Maria Eduarda.
·         Encaixe - por exemplo, a narração a Carlos da vida passada de Maria Eduarda pela própria.
·         Alternância - por exemplo, a acção principal é interrompida para dar lugar à narração da crónica de costumes.
ESPAÇO
a)      Espaço físico
·         Espaço geográfico - por exemplo, Santa Olávia, Coimbra e Lisboa (espaços associados à personagem de Carlos em diferentes momentos da sua vida); Sintra e os Olivais; referencias ao estrangeiro (Inglaterra, Itália, França, Áustria)…
·         Espaço interior - por exemplo, o Ramalhete, o consultório de Carlos, os teatros de S. Carlos e da Trindade, a Vila Balzac, o Grémio, o Hotel Central, o Tavares, a Havaneza, a casa do Gouvarinho e o primeiro andar da casa de Maria Eduarda habita (em Lisboa); o Nunes e o Hotel Bragança (em Sintra); a toca (propriedade de Craft n`Olivais, associada aos amores de Carlos e de Maria Eduarda.
·         Espaço exterior - por exemplo, o quintal / jardim do Ramalhete e o da Toca; a Rua de São Francisco; a Baixa, o Aterro, o Chiado, o Hipódromo no Campo Grande (em Lisboa); o Palácio da Vila, o Palácio da Pena, O Palácio de Seteais (em Sintra) …

b)      Espaço social
O espaço social está directamente associado ao subtítulo da Obra - «Episódios da Vida Romântica»- que, ao nível da crónica de costumes, constitui uma acção aberta. Os episódios, através de um processo narrativo de alternância, integram-se no desenrolar da intriga principal sem que haja, no entanto, qualquer relação de dependência entre ambos; visando não só retratar, como também criticar uma época (o Portugal da Regeneração) e o ambiente social vividos pela burguesia e alta aristocracia Lisboeta:
·         o jantar no Hotel Central ( capítulo VI)- apresenta uma visão critica relativamente aos exageros do Ultra-Romantismo, ao confronto literário eversivo, à incompetência do director do Banco Nacional e às limitações da mentalidade da alta sociedade lisboeta.
·         as Corridas de cavalos (capítulo X)- apresenta uma visão critica relativamente à mentalidade provinciana da elite da sociedade lisboeta que, na sua ânsia de imitar o estrangeiro, acaba as corridas num « sopro grosseiro de desordem reles».
·         o jantar em casa dos Gouvarinho (capitulo XII)- apresenta uma visão critica relativamente à mediocridade, ignorância e superficialidade da elite social lisboeta, em geral, e à incapacidade da classe política dirigente.
·         o incidente relacionado com a Corneta do Diabo e A tarde ( capítulo XV)- apresenta uma critica relativamente à degradação moral, à corrupção, à aceitação de subornos e ao jornalismo político.
·         o sarau literário do Teatro da Trindade (capítulo XVI)- apresenta uma critica à poesia ultra-romântica, à eloquência vazia e bajuladora da oratória politica, a comportamentos sociais afectados.
·         o passeio final de Carlos e de Ega em Lisboa (capítulo XVIII) - apresenta uma critica à estagnação e incapacidade de desenvolvimento da mentalidade portuguesa, que em dez anos não progrediu significativamente.

c)       Espaço psicológico
À medida que o desenlace da intriga se aproxima, o espaço psicológico assume maior relevância, sobretudo nas personagens de Ega e Carlos.
Exemplos:
·         o sonho (capítulo VI) - Carlos sonha com Maria Eduarda a passar em frente ao Hotel Centra «com uma carnação ebúrnea, bela como uma deusa, num casaco de veludo branco de Génova.»;
·         a imaginação (capítulo VIII) - Carlos, que se deslocara a Sintra na ânsia de ver Maria Eduarda, ao tomar conhecimento que esta já regressara a Lisboa, imagina-a «nas rendas do seu peignoir, com cabelo enrolado à pressa..»;
·         a reflexão (capítulo XVI) - após ter sabido por Guimarães a verdadeira identidade de Maria Eduarda, Ega revela uma profunda inquietação relativamente à descoberta de que ela e Carlos são irmãos, meditando sobre este assunto;
·         a memória (capítulo XVII)- quando Carlos se depara com Afonso da Maia inerte, no jardim do Ramalhete, »imagens do avô, do avô vivo e forte, cachimbando ao canto do fogão, regando de manhã as roseiras, passavam-lhe pela alma, em tropel, deixando-lha cada vez mais dorida e negra…».


TEMPO

Tempo histórico - Consiste na época ou Período da História em que se desenrolam as sequencias narrativas.

Uma vez que Os Maias narram a história de uma família ao longo de três gerações, estas correspondem a momentos histórico -  políticos e culturais diferentes:

·         1ª GERAÇÃO: Afonso da Maia (e Maria Eduarda Runa) - Revoltas Liberais / início do Romantismo;
·           GERAÇÃO: Pedro da Maia ( e Maria Monforte) - regeneração e Romantismo ;
·         3ª GERAÇÃO: Carlos da Maia ( e Maria Eduarda) - Regeneração / Ultra- Romantismo e Realismo, a «Ideia Nova»;

 Tempo da diegese - Consiste no tempo durante o qual a acção se desenrola.

 Em termos cronológicos, a acção decorre entre 1820 e 1887, portanto, cerca de 67 anos. Ao longo da obra, percebe-se esta passagem do tempo, não só na indicação de dias, meses e anos, como também no crescimento e / ou envelhecimento das personagens

Tempo do discurso - consiste no modo como o narrador conta os acontecimentos, podendo elaborar o seu discurso segundo uma frequência, ordem e ritmos temporais diferentes. O tempo do discurso pode não ser igual ao da diegese.

N` Os Maias, o narrador não segue uma ordem cronológica no relato dos acontecimentos, estabelecendo e assim uma anisocronia na ordem temporal através do recurso a várias analepses - O narrador conta no presente acontecimentos já passados. Estes recuos da acção no tempo visam, sobretudo, caracterizar as personagens e o seu passado.
O Ritmo temporal, nos 50 anos que decorrem entre a juventude de Afonso da Maia e a instalação de Carlos no Ramalhete, é anisocrónico, pois o tempo do discurso é bastante menor do que o da diegese. O narrador sumaria, e até mesmo omite, os acontecimentos, relevando apenas o que considera importante para a compreensão e o desenrolar da história principal.

Tempo Psicológico - Trata-se de um tempo subjectivo, directamente relacionado com as emoções, a problemática existencial das personagens, ou seja, a forma como elas sentem a passagem do tempo, vivendo momentos felizes ou / e infelizes.

É fundamentalmente, através das relações pessoais de Carlos e de Ega com o passado que o espaço psicológico se faz sentir. Trata-se pois, dos momentos onde claramente transparece o desgaste psicológico das personagens, a sua amargura e inércia, o seu pessimismo que, em grande parte, advém do ambiente onde estão inseridos.


PERSONAGEM
Classificação quanto ao relevo
  •    Tanto na intriga principal como na crónica de costumes, Carlos da Maia é o protagonista.
  •   Ainda que Afonso da Maia, Ega e Maria Eduarda representem papéis de revelo na acção principal, são personagens secundárias.
  •  Dâmaso, Cohen, Conde de Gouvarinho, Sousa Neto, Steinbroken, Alencar, Eusébiozinho, Palma «Cavalão», Cruges entre outros, são figurantes da crónica de costumes, cujo objectivo e satirizar e criticar a sociedade lisboeta da segunda metade do século XIX.

Classificação quanto à composição
·         Afonso da Maia, Pedro, Maria da Fonte, Carlos, Maria Eduarda e Ega são personagens modeladas, pois são personagens dinâmicas, complexas, providas de densidade psicológica, cujo comportamento é passível de se modificar ao longo da acção.
·         À excepção das personagens atrás enumeradas, todas as outras são personagens planas, pois ao contrário das personagens modeladas, são estáticas, sem grande densidade psicológica e o seu comportamento não sofre modificações ao longo da acção, sendo este previsível.
NARRADOR
Classificação quanto à presença
N´Os Maias o narrador é heterodiegético - o narrador não participa na acção como personagem; é portanto, exterior à história - (note-se por exemplo, o uso da terceira pessoa gramatical e, neste caso, o recurso ao discurso indirecto livre.
Classificação quanto à ciência/ ou focalização

N`Os Maias a focalização é omnisciente - o narrador possui um conhecimento ilimitado da toda a história, bem como do intimo das personagens. Ele sabe tudo, assumindo uma posição de transcendência no relato dos acontecimentos.
É também, interna - o narrador relata os acontecimentos, assumindo o ponto de vista de uma personagem - (note-se que a partir do momento em que Afonso da Maia e seu neto se instalaram definitivamente no Ramalhete, o narrador assume o ponto de vista de Carlos, a sua visão sobre os ambientes e as personagens que os rodeiam .

Classificação quanto à posição
N`Os Maias a posição do narrador é fundamentalmente subjectiva, o que se compreende até pelo facto de ser basicamente a visão crítica e opinativa de uma personagem que prevalece. 

14/03/2010

O Verbo - Modo Condicional

ficha de trabalho 

Diálogo- Verbos introdutores

Ficha de trabalho -5º ano

12/03/2010

Ficha de Avaliação



Aluno/a:__________________________________ Ano: ___  Turma: ___ Nº ___


I.             Lê com muita atenção o texto que se segue:










João e a Matemática

   João saiu da escola furioso. Mais uma negativa a matemática! Ia ficar de castigo e, ainda por cima, lhe cortavam a semanada.
   - Para que serve a matemática? – Interrogava-se ele. – Os cães, os gatos, os elefantes vivem sem fazer contas. Antes de inventarem a escolaridade obrigatória a humanidade era feliz sem essa tortura. Pior que a matemática, só as injecções da Tia Engrácia.
   Deu um pontapé numa pedra e logo, por azar tráz!!!! A maldita foi acertar no vidro da drogaria. Plim…plim…plim desfez-se em cacos.
   João largou a correr, atrás dele o droguista, atrás os colegas a rir, numa chacota.
   - Que pontaria!
   -Não acertas nas contas mas acertas nas montras.
   - Vais ser convidado para a selecção de futebol. Este foi o melhor golo do campeonato.
   Fingindo não os ouvir, o rapaz esgueirou-se, saltou para um autocarro, sem saber o destino que levava.
   Aos balanços, sacudindo para ali e além, via passar casas e ruas desconhecidas. Perdido por cem, perdido por mil. Havia de ir até ao fim da carreira. Voltar para casa para quê? Para apanhar um raspanete?
   Era quase noite quando o autocarro finalmente parou junto a um lago triste. Apeou-se. Não sabia onde estava. Foi vagueando ao acaso, por entre prédios arruinados, até um jardim onde meia dúzia de árvores erguiam os ramos para o céu, como fantasmas reformados. Doía-lhe a cabeça e tinha a barriga a dar horas. Sentou-se num banco em frente estava uma pasta de crocodilo.
   Sempre fora curioso. Deu dois passos, carregou o fecho dourado e que viu ele? Milhares e milhares de notas de 50 euros. Procurou um nome, uma morada. Absolutamente nada.
   Olhou mais uma vez em volta. Ninguém. Então atirou fora os cadernos e livros e atulhou a mochila com aquela inesperada fortuna.
   A cabeça quase lhe andava à roda de fome e entusiasmo. Podia comprar uma quinta, um carro, um cavalo, tudo o que desejasse. Só não podia livrar-se da matemática.
   Até aos catorze anos era forçado a ir para a escola.
   E ainda dizem que há liberdade!

                                                            Luísa Ducla Soares, O Rapaz e o Robô, Terramar



 A) Assinala, com X, a hipótese correcta:

  1. João tinha tirado negativa a matemática por isso saiu da escola...

(  ) muito feliz.
(  ) furioso.
(  ) triste.

  1. Para ele pior que a matemática só...

(  ) as injecções da Tia Engrácia.
(  ) a Língua Portuguesa.
(  ) estar doente.

  1. Deu um pontapé numa pedra e esta foi acertar no vidro

(  ) do café da Tia Engrácia
(  ) da pastelaria
(  ) da drogaria

  1. Para fugir dos seus colegas e do droguista que o perseguiam, João entrou...

(  ) num autocarro
(  ) num táxi
(  ) da drogaria

  1. Segundo o texto, João era obrigado a ir para a escola até...

(  ) aos dezasseis anos
(  ) aos catorze anos
(  ) à noite.


                                            II
Responde às seguintes questões de forma completa:

  1. Identifica o autor do texto e a obra da qual foi retirado.
  1. Identifica as personagens do texto, fazendo a distinção entre personagens principais, personagens secundárias e figurantes.

  1. Como classificas o narrador do texto quando à sua participação? Justifica a tua resposta.

  1. O que levou o João a sair furioso da escola?

  1. João largou a correr, atrás dele o droguista, atrás os colegas a rir; numa chacota.

5.1.        Transcreve do texto as frases que mostram como é que os colegas comentaram o seu “pontapé certeiro”.

5.2.        O que fez o nosso herói para solucionar o problema e fugir daqueles que o perseguiam? Concordas com a atitude dele? Justifica a tua resposta.



  1. Liga correctamente as colunas A, B e C de modo a saberes o que aconteceu em seguida.
                A
             B

             C
  1. João…
  2. O autocarro…
  3. O banco do jardim…
  4. o jardim…
… tinha…
…via…
…estava…
…parou…
…junto a um lago.
…passar casas e ruas desconhecidas
…deserto…
…uma pasta de crocodilo.


  1. Completa a frase com as palavras correctas de acordo com o texto:

    Com o ___________________ encontrado, João estava _______________ e podia___________________ uma quinta, um ____________, um __________ e __________________ o que mais desejasse, no entanto, não ______________ livrar-se da _____________ antes de fazer _____________ anos.


  1. Deu dois passos, carregou no fecho dourado e que viu ele?

10.1. Descreve as emoções e os sentimentos que pensas que João sentiu nesse momento.



11. O que é que o João fez após ter descoberto o tesouro dentro da pasta de crocodilo?



12. Apoiando-te no texto faz o retrato físico e psicológico do João.




                                       III


  1. Completa a tabela seguinte, fazendo a translineação das palavras da coluna A na coluna B classificando-as respectivamente quanto ao número de sílabas na coluna C.

                  A
                  B
                C
Pontaria


Escola


Carregou




Quase


Esgueirou-se


Fim


Quanto


Desejasse


atulhou




  1. Classifica quanto à forma e ao tipo cada uma das frases:

v  João saiu da escola furioso.
v  Para que serve a matemática?
v  João, entra imediatamente no autocarro!
v  Que pontaria!
v  Olhou mais uma vez em volta.
v  E ainda dizem que há liberdade?
v  Para apanhar um raspanete?

                                    




09/03/2010

CAÇA AO ERRO!

As frases que se seguem contêm erros ortográficos (propositados);
assinala-os e, de seguida, copia as frases com a correcção ortográfica.


1 – Nos tribunais à juízes.
_____________________________________________________

2 – Há! Que malvado ce foi o avarento!
_____________________________________________________

3 – Por causa do avarento ouve necessidade de ir a tribunal.
_____________________________________________________

4 – Acho que a sentença do tibunal não foi há noite.
_____________________________________________________

5 – O camponês era um omem muito sériu.
_____________________________________________________

6 – Afinal o dinheiro estaba serto.
_____________________________________________________

7 – O camponês houve o que o juiz diz e faz o que ele manda.
_____________________________________________________

8 – Os juízes quase senpre vêem quen tem razao.
_____________________________________________________

9 – Chega de Inverno! Quando é que vêem os dias quentinhos?
_____________________________________________________

08/03/2010

Os Lusíadas - Figuras de Estilo

Aliteração - Repetição de um ou mais fonemas consonânticos para intensificar e aumentar a expressividade:
Ex.: "Sois senhor superno" (I, 10).

Anáfora - Repetição (de que resulta sobressair o que se repete) de uma palavra ou de um membro de frase:
Ex.: "Vistes que, com grandíssima ousadia
Vistes aquela insana fantasia
Vistes, e ainda vemos cada dia," (VI, 29).

Anástrofe - Inversão da ordem das palavras correlatas, antepondo-se o determinante (proposição + substantivo) ao determinado ou ao complemento do verbo.
Ex.: "Qual vermelhas as armas faz de brancas;" (VI, 64).

Antítese - Confronto de dois elementos ou ideias antagónicas, no intuito de reforçar a mensagem:
Ex.: "Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou frio"

Antonomásia - Utilização de um nome sugestivo, grandioso ou não, em vez do nome próprio:
Ex.: "O sábio Grego... // O troiano..." (=Ulisses)" (I, 3).

Apóstrofe - Apelo do autor, através de interrupções, invocando pessoas ausentes, coisas ou ideias sob forma exclamativa:
Ex.: "E tu, nobre Lisboa, que no mundo..." (III, 57).

Comparação - Aproximação entre dois termos ou expressões através de uma partícula comparativa (como), levando à compreensão mais profunda do primeiro termo:
Ex.: "Qual aos gritos…// Tal do rei…" (III, 47-48).

Epifonema - Exclamação sentenciosa a concluir uma narrativa ou um discurso:
Ex.: "Mísera sorte! Estranha condição!" (IV, 104).

Eufemismo - Expressão que atenua ou modifica o sentido violento, mau ou desonesto da narrativa:
Ex.: "Tirar Inês ao mundo determina," (III, 23).

Gradação - Ordenação das ideias em escala crescente ou decrescente:
Ex.: "Horrendo, fero, ingente e temeroso" (IV, 28) - Crescente.
"Com mortes, gritos, sangue e cutiladas" (IV, 42) - Decrescente.

Hendíadis - Utilização de dois substantivos coordenados em vez de um substantivo seguido de um complemento determinativo ou dum adjectivo:
Ex.: "Cujo pecado e desobediência" (= Cujo pecado de desobediência) (IV, 98).

Hipérbato - Inversão violenta da posição dos membros de uma frase:
Ex.: "...os duros/Casos que Adamastor contou, futuros" (V, 60).

Hipérbole - Exagero de qualquer realidade para a tornar mais saliente, exagero este que serve para ferir o pensamento quando tomada à letra:
Ex.: "Que a vivos medo, e a mortos faz espanto,".

Ironia - Exprime o contrário do que as palavras ou frases significam, para que se compreenda ou a estupidez ou a fraqueza que se pretende castigar após se verificar a discordância:
Ex.: "Oulá, Veloso amigo, aquele outeiro"
Por me lembrar que estáveis cá sem mim;" (V, 35).

Metáfora - Consiste em designar um objecto ou ideia por uma palavra que convém a outro objecto ou outra ideia - ligados aqueles por uma analogia. A metáfora é num único, os dois termos da comparação sem a partícula comparativa (como):
"Tomai as rédeas vós do reino vosso:" (I, 15).

Onomatopeia - Representação auditiva ou visual pelos sons das palavras, além do respectivo sentido: tentativa de imitação dos ruídos naturais através dos fonemas da linguagem:
Ex.: "Polas concavidades retumbando." (III, 107).


Perífrase - Expressão por diversas palavras daquilo que se poderia dizer mais concisamente ou apenas por uma palavra:
Ex.: "Pelo neto gentil do velho Atlante." (=Mercúrio) (I, 20).

Personificação - Atribuição de qualidades, atributos e impulsos humanos a seres inanimados e a animais irracionais.
Ex.: "Os altos promontórios o choraram," (III, 84).


Sinédoque - Consiste em tomar o todo pela parte e a parte pelo todo, o plural pelo singular ou o singular pelo plural:
Ex.: "Que da Ocidental praia Lusitana" (=Portugal) (I,1).



fonte: http://oslusiadas.no.sapo.pt/figuras.html

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