18/11/2009

Verbos regulares, irregulares e defectivos


Quanto à flexão, os verbos podem ser regulares, irregulares e defectivos.




  • Retirada a vogal temática ao tema do verbo, ficamos com o radical:
    ama - am

    come - com

    parti - part




  • Quando os verbos mantêm o radical em toda a sua conjugação, chamam-se verbos regulares:

amar amava amarei amasse


  • Quando os verbos não mantêm o radical em toda a sua conjugação, chamam-se verbos irregulares:


    fazer faço fiz faria




  • Os verbos defectivos são verbos que apresentam uma conjugação incompleta, porque não se usam em todos os tempos ou em todas as pessoas.
Há ainda a considerar:

- Verbos defectivos pessoais, que se usam só em alguns tempos e pessoas, por serem de desagradável pronúncia:

  • verbos de tema em i, que, como os seguintes, só se usam nas formas em que se conserva a vogal i: abolir, banir, colorir, combalir, demolir, empedernir, falir, munir….
  • o verbo reaver, de que só se usam as formas em que entra a letra v.
- Verbos defectivos unipessoais, que exprimem vozes de animais, usados apenas nas 3as pessoas, singular e plural: arrulhar, bramir, chilrear, coaxar, ganir, latir zumbir….

- Verbos defectivos impessoais, que designam fenómenos da natureza, só usados na 3ª pessoa do singular e cujo sujeito é inexistente: amanhecer, alvorecer, relampejar, trovejar, gear e ainda o verbo haver, quando significa "Existir".

17/11/2009

Categorias da narrativa - Ficha de trabalho



Ficha de trabalho

Categorias da Narrativa


    Todas as narrativas são fruto da imaginação de um autor: a pessoa que imaginou  e escreveu a história.

    Quem nos conta a história é o narrador.

    Não devemos confundir o autor ( ser real, de carne e osso) com o narrador ( ser imaginario criado pelo autor, que só tem existência na narrativa).

    Se o narrador fizer parte da história, é participante e utiliza um discurso de 1ª pessoa. Neste caso, o narrador é também uma personagem.

    Se o narrador se limita a contar uma história vivida por outros, não fazendo parte dela, é um narrador não participante e usa um discurso de 3ª pessoa.

    As personagens vivem acontecimentos. À sequência de acontecimentos vividos pelas personagens, e que se desenrolam num determinado espaço e ao longo de um determinado tempo, dá-se o nome de acção.

    As personagens podem ser muito importantes para o desenrolar da acção- personagens principais- ou menos importantes - personagens secundárias.

Agora que conheces as categorias da narrativa ( narrador, personagens, acção, tempo, espaço), vais verificar que a narrativa tem uma determinada estrutura, ou seja, uma organização.

    Na introdução é feita a apresentação das personagens e localiza-se a acção no espaço e no tempo. Corresponde a um momento de pausa (descrição).

     No desenvolvimento os acontecimentos sucedem-se uns após os outros, o ritmo da narrativa acelera, a acção avança rapidamente. Predominam os momentos de avanço (narração).

    A conclusão corresponde à parte final da narrativa. é normalmente, uma parte curta, rápida, com predomínio de momentos de avanço.

O que deves saber: 



  • Narrativa- é um texto que conta uma história. Num texo narrativo a acção pode localizar-se:
- no espaço (indica onde se passa a acção).
- no tempo (indica quando se passa a acção).

  • Autor- é a pessoa que imagina e escreve a a narrativa. 
  • Narrador - é um ser imaginário, criado pelo autor, a quem cabe contar a história. Pode ser:
- participante ( se participa na história como personagem).
- não participante ( se conta a história, sem participar nela).

  • Personagens- são também seres imaginários, criados pelo autor, que tomam parte ( participam) na historia. 
- personagem principal ( muito importante para o desenrolar da narrativa)
- personagem secundária ( menos importante no desenrolar da narrativa).

  • Partes da narrativa
- introdução;
- desenvolvimento;
- conclusão.

A um texto com estas características, damos o nome de narrativa fechada. Quando não conhecemos a conclusão, dizemos que se trata de uma narrativa aberta.

16/11/2009

SÍNTESE DE FREI LUÍS DE SOUSA- Acto I


Em frei Luís de Sousa há uma progressão dramática de eventos, que propaga um sofrimento cada vez mais intenso, até atingir o clímax; e cujo desfecho é a materialização concreta dos receios mais íntimos de Madalena: o regresso de D. João de Portugal, cujas consequências são a anulação do seu segundo casamento e a ilegitimidade,idade de sua filha Maria, o que inevitavelmente conduz ao extermínio da família.

Acto I

A acção tem lugar no palácio de Manuel de Sousa Coutinho, onde predomina « o luxo e caprichosa elegância portuguesa dos princípios do século dezassete»; ao fim da tarde.

Cena I _ Reflexão de Madalena a propósito de uns versos do episódio de Inês de Castro d `Os Lusíadas, que lhe despertam os seus próprios medos e «terrores» devido à semelhança que vislumbra entre o amor «ledo e cego» de D. Inês  por D. Pedro e o seu próprio amor por Manuel Sousa Coutinho:

Cena II- Diálogo entre Madalena e Telmo, a partir do qual são daos a conhecer os antecedentes da acção:
- Telmo foi o «aio fiel» de D. João de Portugal.
- D. João de Portugal, então casado com Madalena, desapareceu na Batalha de Alcácer Quibir;
- Madalena, viúva e órfã, com apenas dezasete anos, encontrou em Telmo o «carinho e protecção»que necessitava, dai a cumplicidade existente entre ambos;
- durante sete anos, Madalena empreendeu todos os esforços e diligencias ao seu alcance, para encontrar D. João de Portugal;
- depois desta vã busca incessante, e apesar da desaprovação de Telmo fundada na crença de que o amo ainda estria vivo, Madalena casou-se com Manuel de Sousa Coutinho por quem fatalmente se apaixonara, na primeira vez que o vira.
-há 14 anos que Madalena se encontra casada com o segundo marido de quem teve uma filha, Maria de Noronha, no momento, com 13 anos;

Ainda nesta cena, Madalena pede ao seu «bom Telmo» que não alimente as fantasias de sua filha no que concerne à sua crença no mito de D. Sebastião, não só porque o estado de saúde de Maria é preocupante e frágil; mas também, e sobretudo, pelas implicações nefastas  e desastrosas de tal quimera - a ser verdade - teria na sua vida.

Cena III - Maria entra em cena e evoca a crença sebastianista, a sua e a do povo, segundo a qual D. Sebastião voltaria numa manhã de nevoeiro cerrado, para salvar o reino do domínio filipino espanhol, restituindo a independência e orgulho da nação. Madalena exprime a sua inquietação e desagrado perante este assunto, pois a probabilidade de regresso de D. Sebastião estava intrinsecamente ligada ao aparecimento do seu primeiro marido.

Cena IV- Diálogo entre Maria e Madalena do qual se apreende:

  • o amor existente entre mãe e filha;
  • a forte intuição de Maria que a leva a aperceber-se que a inquietação dos pais em relação a si própria não advém apenas do seu estado de saúde;
  • o caracter profético do sonho de Maria que a «faz ver cousas»;
  • a curiosidade de Maria relativamente ao retrato do pai vestido de cavaleiro de Malta. 
Cena V- Jorge chega com notícias de Lisboa, anunciado que os governadores espanhóis, devido à peste na capital, decidiram alojar-se em Almada, mais propriamente no palácio de Madalena e de Manuel de Sousa Coutinho. Entretanto Maria ouve o pai chegar, apesar de este se encontrar a alguma distância do palácio; a audição apurada é já um sintoma da sua doença, a tuberculose.

Cena VI- Miranda, criado da casa, comunica a chegada de Manuel de Sousa Coutinho.

Cena VII- É noite fechada. Manuel de Sousa Coutinho entra em cena alvoraçado, dando ordens aos criados que o acompanham e transmitindo à família a sua intenção de se mudarem para o palácio que fora de D. João, decisão esta que deixa Madalena transtornada.

Cena VIII- Manuel procura convencer a esposa de que a única saída que têm, no momento, é irem viver para o palácio de D. João. Madalena aterrorizada com esta ideia, tenta dissuadir o marido, pois acredita que tal situação poderá separar irremediavelmente a família. No entanto, Manuel não se deixa impressionar com estas «vãs quimeras de crianças» e mantém a sua decisão.

Cena IX-Telmo dá conhecimento a Manuel de Sousa Coutinho da chegada antecipada dos governadores.

Cena X - Manuel de Sousa Coutinho pede a Jorge, seu irmão, para partir juntamente com  família e levar todos os haveres que puderem transportar, que ele irá depois ter com eles .

Cena XI - Monólogo de Manuel de Sousa Coutinho em que este evoca a morte de seu pai que caíra « sobre  a sua própria espada» e considera «tirana» a afronta dos governadores, pelo que decide atear fogo ao próprio palácio, para assim impedir que os intrusos ali se instalarem .

Cena XII - Consumação do incêndio. Madalena, Maria, Jorge, Telmo e demais criados acodem. O retrato de Manuel de Sousa Coutinho é consumido pelas chamas perante a aflição impotente de Madalena que em vão o procura salvar.

FREI LUÍS DE SOUSA DE ALMEIDA GARRET - ESTRUTURA


    Frei Luís de Sousa obedece, logicamente, à estrutura característica do texto dramático. Como tal, divide-se em actos e cenas e é constituído pela exposição, conflito e desenlace. 


Estrutura externa 

Frei Luis de Sousa é composto por três actos: o primeiro e o terceiro com doze e o segundo com quinze cenas. Constata-se, portanto, que a peça possui uma organização tripartida regular e harmoniosa.

Estrutura Interna



  • Exposição - Acto I, Cenas I a IV
- Apresentação (através das falas das personagens) dos antecedentes da acção que explicam as circunstâncias actuais), das personagens e das relações existentes entre elas.

  • Conflito - Acto I, Cenas V a XII; Acto II; Acto III, Cenas I a IX
- Desenrolar gradual dos acontecimentos, com momentos de tensão e expectativa- desde o conhecimento de que os governadores espanhóis escolheram para o palácio de de Manuel de Sousa Coutinho para se instalarem até ao reconhecimento do Romeiro (clímax)- que despoletaram uma série de peripécias. 

  • Desenlace- Acto III, Cenas X a XII
- Desfecho motivado pelos acontecimentos anteriores- consumação da tragédia familiar com a morte de Maria e a separação forçada de seus pais, que morrem um para o outro bem como para o mundo . 

07/11/2009

O VERBO



Os verbos são palavras muito variáveis. Variam em:

  • Pessoa
1ª - eu                     nós
2ª - tu                     vós
3ª - ele (ela)           eles (elas)


  • Número
singular - eu, tu, ele, (ela)
Plural - nós, vós, eles (elas)


  • Tempo
Presente - a acção passa-se no momento em que se fala. ( lavo)
Pretérito - a acção passou-se antes do momento em que se fala. ( lavei)
Futuro - a acção passar-se-á depois do momento em que se fala. (lavarei)
  • Modo
Indicativo - quando encaramos a acção como uma certeza. (lavo)
Conjuntivo - quando encaramos a acção como uma dúvida, uma incerteza, uma possibilidade. ( que eu lave)
Imperativo - quando pretendemos dar uma ordem, um conselho. (lava)
Condicional - quando a acção está dependente de outra acção. (lavaria)
Infinitivo - quando a acção é apresentada de uma forma geral, indeterminada, abstracta. (lavar)


  • Conjugações
   Retirando ao infinitivo a terminação r, obtém-se  o tema do verbo: lava(r), come(r), dormi(r).
   À última vogal do tema dá-se o nome de vogal temática: lav(a), com(e), dorm(i).
   Retirando ao tema a vogal temática, encontramos o radical do verbo: lav(a), com(e), dorm(i)


1ª conjugação - verbos cuja vogal temática é a - lavar
2ª conjugação - verbos cuja vogal temática é e - comer
3º conjugação - verbos cuja vogal temática é i - dormir


Verbos regulares - os que mantêm os seu radical em todos os tempos verbais: canto, cantei, cantava ...


Verbos irregulares - os que não mantêm o seu radical em todos os tempos verbais: digo, disse, dizia, direi ...




24/10/2009

MODOS DE REPRESENTAÇÃO DO DISCURSO- Ficha de trabalho



Ficha de trabalho

Modos de representação do discurso

O discurso é uma forma de comunicação, oral ou escrita, que obedece às regras do código linguístico.
dialogo
DISCURSO DIRECTO
O discurso directo é um meio de expressão em que as palavras de uma personagem são reproduzidas tal como ela disse.
- João, agora queres ver o programa sobre a selva?
- Não, por acaso, agora não posso.

DISCURSO INDIRECTO
O discurso Indirecto é um modo de expressão utilizado pelo narrador em que este reproduz o que a personagem  teria dito.
A mãe perguntou ao João se naquele momento queria ver o programa sobre a selva, ao que ele respondeu que por acaso não podia.
Observa o quadro onde se verificam as principais alterações na transposição do discurso directo para o indirecto.

Discurso directo
Discurso indirecto




Tempos e modos:


- presente

- pretérito perfeito


- futuro



- modo imperativo


Verbo declarativo (dizer, perguntar, responder, pedir, ordenar..).


Tempos e modos:
- pretérito imperfeito
- pretérito mais que perfeito
- condicional
- modo conjuntivo
Pessoa gramatical (verbos, pronomes pessoais e possessivos)
- 1ª ou 2ª

Pessoa gramatical (verbos, pronomes pessoais e possessivos)


- 3ª


Advérbios: 

de tempo



-agora
-hoje, ontem
-amanhã




de lugar



-aqui
-cá


Advérbios: 

de tempo

-então
- naquele dia, no dia anterior
- no dia seguinte
de lugar
- aqui, além, acolá
-naquele local
  • vocativo
Desaparece ou passa a complemento directo

20/10/2009

ESTRUTURA DO SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES


ESTRUTURA DO SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES



O Sermão de Santo António aos peixes é uma alegoria, na medida em que os peixes são a personificação dos homens. Padre António Vieira toma como ponto de partida uma frase bíblica irrefutavelmente aplicável às condições políticas e sociais da sua época.

A estrutura do sermão segue os preceitos da retórica clássica sendo constituída pelo exórdio, pela exposição e confirmação, e pela peroração, que, no texto argumentativo, corresponde, respectivamente, à introdução, ao desenvolvimento e à conclusão.

A pessoa gramatical privilegiada é, obviamente, a segunda, visto que o seu objectivo é persuadir e contar com a adesão dos ouvintes.



Estrutura externa



  1. Exórdio - capitulo I - apresentação do tema que vai ser tratado no sermão, a partir do conceito predicável e das ideias a defender e que, geralmente, termina com uma breve oração, invocando a Virgem. Esta parte reveste-se de grande importância dado que é o primeiro passo para captar a tenção e benevolência dos ouvintes.







  2. Exposição e confirmação -
    capítulos II a V - Retoma a explicitação do assunto, com uma breve explicação da organização do discurso; desenvolvimento e enumeração dos argumentos, contra-argumentos, seguidos de exemplos e/ou citações. A exposição situa-se desde o início do capítulo II até «… Santo António abria a sua [boca] contra os que não se queriam lavar.», no capítulo III; e a confirmação começa a partir de » Ah moradores do Maranhão, enquanto eu vos pudera agora dizer neste caso!» e termina no final do capítulo V.









  3. Peroração (ou epílogo) - capítulo VI - conclusão do raciocínio com destaque para os argumentos mais importantes. Saliente-se que esta é a parte que a memória dos ouvintes melhor retém, pelo que deverá conter os aspectos principais desenvolvidos no sermão, de modo a deixar clara a mensagem veiculada e a levar os ouvintes a pôr em prática os seus ensinamentos.



    Estrutura interna



    Exórdio





  • apresentação do tema, a partir do conceito predicável: «Vos estis sal terrae.» ( Vós sois o sal da terra»);
  • louvor elogioso a Santo António: « Santo António foi sal da Terra e sal do mar»;
  • invocação à Virgem Maria: »Maria, quer dizer, domina maris: Senhora do mar: […]espero que não me falte a costumada graça. Avé Maria»
Exposição e confirmação



  • retoma do assunto e explicação da organização do sermão;
  • referência às obrigações do sal;


  • louvores ao peixes:
    - em geral:

    ouvem e não falam;

    foram os primeiros seres que Deus criou;

    são em maior número;

    são melhores que os homens;

    revelaram obediência, respeito e devoção;

    não se deixaram domesticar.

    -em particular:

    aos roncadores;

    aos pegadores;

    aos voadores;

    aos polvos.



    Peroração




    • elevação dos peixes - estão acima dos outros animais e até do próprio pregador (vieira);


louvores a Deus - hino benedicite.

17/10/2009

Classificação das palavras quanto à posição da sílaba tónica


Ficha de trabalho



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